Dois jornalistas mortos na Argélia

Dois jornalistas morreram e cerca de outras 400 pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira, em um tumulto na capital da Argélia, durante uma passeata até o palácio presidencial da qual participaram centenas de milhares de argelinos. Os jornalistas Fadila Nedjma e Adel Zerruk - uma mulher que trabalhava para o semanário escrito em árabe El Chourouk e um homem - morreram atropelados por um ônibus que saía em disparada de uma garagem da companhia de transportes urbanos de Argel. A garagem havia sido incendiada pelos manifestantes, destruindo dez ônibus. Ainda não se sabe as circunstâncias exatas das mortes.O protesto, que pedia fim da discriminação e uma maior democracia no país, foi organizado por membros da etnia bérbere e contou com o apoio de partidos de oposição que exigem maior liberdade do governo do país, apoiado pelos militares. Durante o protesto, os manifestantes arremessaram pedras contra a tropa de choque, que bloqueava o caminho para o palácio. A polícia reagiu disparando um canhão de água e arremessando bombas de gás lacrimogêneo. Alguns manifestantes que carregavam facas e pedaços de metal depredaram a fachada de vários edifícios, incluindo a de um hotel de luxo. A passeata encheu a avenida principal da cidade. Os manifestantes carregavam faixas onde se lia "Vocês não podem nos matar, pois já estamos mortos", ou denunciando a "hogra", palavra usada pelos argelinos para se referir a injustiças ou abuso de poder. Os bérberes, que alegam ser os habitantes originais do norte da África, mantêm relações conflituosas com os argelinos há décadas. Entre outras coisas, eles exigem o fim da discriminação do governo contra sua etnia e o reconhecimento oficial de sua língua, o tamazight. Pelo menos 52 pessoas foram mortas durante 40 dias de conflito na região montanhosa bérbere de Kabyle, a cerca de 100 quilômetros de Argel. O estopim dos confrontos foi a morte de um adolescente bérbere em uma delegacia de polícia em abril.

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