EFE/Kabir Dhanji
EFE/Kabir Dhanji

Dois manifestantes morrem durante protesto contra resultado das eleições no Quênia

Opositores do atual presidente, Uhuru Kenyatta, alegam que houve fraude no processo após a divulgação dos números enviados pelos colégios eleitorais

O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 12h31

NAIRÓBI - Dois manifestantes morreram por disparos policiais nesta quarta-feira, 9, em Nairóbi, durante protestos registrados depois das denúncias dos opositores sobre fraude nas eleições presidenciais, realizadas na véspera.

As vítimas fariam parte de um grupo de manifestantes e os agentes foram enviados para restaurar a ordem, segundo a polícia. "Fomos informados que eram ladrões que se aproveitavam da situação. Dois deles foram mortos", disse a fonte. Um fotógrafo da agência de notícias France-Presse viu um corpo com um impacto de bala na cabeça.

Na terça-feira, a votação transcorreu sem problemas na maioria dos 41 postos eleitorais, nos quais longas filas de espera se formaram. Apesar de alguns problemas localizados relacionados ao sistema biométrico de identificação dos eleitores, ele parece ter funcionado melhor do que em 2013.

Já nesta quarta-feira, policiais e manifestantes se enfrentaram em Kisumu, grande cidade do oeste do Quênia e reduto eleitoral da oposição. A polícia lançou gás lacrimogêneo contra centenas de pessoas que protestavam no bairro de Kondele - epicentro da violência após o pleito de 2007 - erguendo barricadas e queimando pneus.

Um helicóptero policial sobrevoava a região, enquanto o Batalhão de Choque empunhava escudos, armas e cassetetes, usando jatos d'água para apagar os incêndios.

Cenário

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, parecia ter selado o caminho para seu segundo mandato com a vitória eleitoral, mas a impugnação dos resultados por parte de seu rival, Raila Odinga, mergulhou o país em um clima de ansiedade.

Kenyatta registrava 54,4% contra 44,74% de Raila Odinga do total de 14,1 milhões de votos, com cerca de 93,5% das urnas apuradas, segundo a Comissão Eleitoral (IEBC) do país.

Algumas horas antes, enquanto o IEBC publicava os resultados enviados pelos colégios eleitorais, Odinga denunciou a divulgação de resultados "fictícios". "O sistema fracassou. Rejeitamos os resultados publicados até o momento", denunciou. "É uma fraude de gravidade monumental. Não houve eleições."

A oposição acusa o IEBC de não informá-la das atas que corroboram os resultados transmitidos eletronicamente e divulgados no site da comissão. Odinga também acusa a Comissão Eleitoral de ter proibido seus agentes de escanear as atas em algumas seções eleitorais.

Veterano da política queniana e candidato à presidência pela quarta vez, Raila Odinga já havia questionado os resultados nas duas últimas disputas, em 2007 e em 2013. Ele denunciou fraudes após a vitória de Kenyatta já no primeiro turno, alegando falha no sistema eletrônico, e recorreu ao Tribunal Supremo, que validou os resultados.

Para vencer no primeiro turno, o candidato deve obter maioria absoluta e mais de 25% dos votos em pelo menos 24 dos 47 condados do país. O IEBC ainda não divulgou a taxa de participação.

Os cerca de 19,6 milhões de eleitores do Quênia, país de 48 milhões de habitantes, foram às ruas eleger presidente, governadores, deputados, senadores, representantes locais e representantes das mulheres na Assembleia.

Em 2007, o país viveu dois meses de violência política e étnica pós-eleitoral, em meio a repressões policiais que deixaram pelo menos 1,1 mil mortos e mais de 600 mil deslocados. / AFP

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