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Dois mil americanos já foram mortos no Afeganistão

Número cresceu nos últimos meses, com ataques de policiais e soldados afegãos

AE, Agência Estado

30 de setembro de 2012 | 12h18

CABUL - O número de norte-americanos mortos na guerra do Afeganistão alcançou 2 mil, num conflito iniciado há 11 anos que agora atrai pouca atenção da opinião pública, à medida que os EUA se preparam para retirar a maior parte de suas tropas do país até o fim de 2014.

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O número de mortos cresceu nos últimos meses, com  ataques de policiais e soldados afegãos, supostamente aliados, contra militares norte-americanos e das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar liderada pelos EUA). Esses ataques levantaram dúvidas sobre se as tropas de ocupação estrangeira conseguirão cumprir o objetivo de ajudar o governo afegão a ser capaz de se manter por si mesmo depois da retirada, daqui a pouco mais de dois anos.

Neste domingo, 30, um oficial dos EUA confirmou a morte mais recente, ao revelar que era norte-americano um soldado das forças de ocupação morto no sábado no leste do país, aparentemente por um militar afegão. Dois soldados afegãos e um civil a serviço das forças da Otan também foram mortos nesse ataque, de acordo com um comunicado da coalizão e informes de funcionários provinciais afegãos. A nacionalidade do civil não foi revelada.

Além dos 2 mil norte-americanos mortos desde que a guerra no Afeganistão começou, em 7 de outubro de 2011, pelo menos outros 1.190 militares de outros países que participam das forças de ocupação também morreram, segundo dados da icasualties.org, um grupo independente que acompanha o conflito.

O centro de pesquisas conservador norte-americano Brookings Institution diz que cerca de 40% das mortes de norte-americanos no Afeganistão foram provocadas por "artefatos explosivos improvisados (IEDs). A maioria das mortes aconteceu depois de 2009, quando o presidente Barack Obama aumentou em 33 mil o número de soldados norte-americanos no Afeganistão. Naquela ocasião, o número de soldados dos EUA naquele país elevou-se a 101 mil, o maior de todo o conflito até agora. A segunda maior causa de mortes de norte-americanos, tiros disparados por forças hostis, respondeu por 31% delas.

Acompanhar as mortas de civis afegãos é mais complicado; de acordo com a ONU, 13.431 deles foram mortos entre 2007, quando as agências das Nações Unidas começaram a registrar essas estatísticas, e o fim de agosto deste ano. A maioria das estimativas sobre o número de civis mortos desde o começo da invasão norte-americana está na casa de pouco mais de 20 mil.

A invasão aconteceu pouco depois dos ataques da rede terrorista Al Qaeda contra Washington e Nova York, em 11 de setembro de 2001, que deixaram quase 3 mil mortos. O objetivo era derrubar do poder o governo afegão liderado pelo grupo radical islâmico Taleban, que dava abrigo à Al Qaeda e a seu líder, o saudita Osama bin Laden.

Cabul caiu em poucas semanas e o regime do Taleban foi derrubado com poucas baixas entre as forças dos EUA, mas o governo do então presidente George W. Bush em seguida voltou suas atenções para o Iraque de Saddam Hussein, o que deixou as forças de ocupação no Afeganistão com recursos reduzidos. Com isso, o Taleban e seus aliados se reagruparam e passaram a representar uma ameaça mais séria a partir de 2006.

Com a posse de Obama, em 2009, o volume de tropas dos EUA no Afeganistão foi aumentado e o número de mortes cresceu, mas a opinião pública norte-americana mostrou cansaço crescente com o conflito, especialmente depois da retirada da maior parte das tropas dos EUA do Iraque, no fim de 2011. A guerra no Iraque, iniciada em abril de 2003 a pretexto de supostas ligações entre o regime de Saddam Hussein com a Al Qaeda (inexistentes) e da suposta posse de armas de destruição em massa (também inexistentes), deixou cerca de 4.500 militares norte-americanos mortos; as estimativas sobre iraquianos mortos estão na casa do meio milhão.

"No Afeganistão, a contagem é modesta, pelos padrões históricos das guerras, mas cada baixa é uma tragédia, e 11 anos são tempo demais. Mas tudo isso foi absorvido por um público norte-americano que tem acompanhado essa campanha há bastante tempo. O que tem sido mais noticiado agora são os ataques ''de dentro'', e o sento de desesperança que eles têm provocado", comentou o pesquisador Michael O''Hanlon, da Brookings Institution.

No Afeganistão, os ataques "de dentro", por parte de soldados ou policiais afegãos, ou por insurgentes disfarçados, causaram 52 mortes entre as forças de ocupação da Otan desde o começo de 2012. Esses ataques são considerados uma das ameaças mais sérias á estratégia de retirada dos EUA. Essa estratégia tem se apoiado no treinamento de forças afegãs para que elas assumam o combate ao Taleban e a responsabilidade pela segurança do país depois da saída das forças de ocupação.

Embora Obama tenha prometido que a maioria das forças de combate dos EUA deixará o Afeganistão até o fim de 2014, as mortes de militares da Otan no país continuam a acontecer ao ritmo de uma por dia. Mesmo com a retirada de 33 mil soldados norte-americanos, as forças de ocupação ainda terão cerca de 108 mil militares no Afeganistão ao fim deste ano, 68 mil deles dos EUA.

"Esse é um desafio para o governo: lembrar as pessoas, em face de tantas más notícias do motivo pelo qual essa campanha requer mais perseverança", disse O''Hanlon.

As informações são da agência Associated Press

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