ANTONIO CARLOS/ESTADÃO
ANTONIO CARLOS/ESTADÃO

Dois mil venezuelanos pediram asilo ao Brasil em 2016

Número deve crescer após decreto que autoriza concessão de residência temporária a cidadãos de países vizinhos que atravessem a fronteira seca

Cyneida Correia, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2017 | 05h00

BOA VISTA - O número total de venezuelanos que pediram asilo no Estado brasileiro de Roraima em 2016 passou de 2 mil, segundo balanço da Polícia Federal obtido pelo Estado nesta segunda-feira. A cifra, não divulgada oficialmente, deve crescer neste ano após o governo federal reeditar o ato administrativo que autoriza concessão de residência temporária, por até dois anos, a estrangeiros que tenham entrado no País por via terrestre e sejam nascidos em países fronteiriços. 

 O número total de pessoas que atravessaram a fronteira no ano passado foi muito superior ao registrado nos pedidos de asilo – o governo estadual de Roraima estima o volume em cerca de 30 mil pessoas fugindo da crise na Venezuela. 

A PF realiza coleta de dados, identificação, entrevistas e encaminhamento de procedimento administrativo de refúgio ao Comitê Nacional para Refugiados (Conare), colegiado vinculado ao Ministério da Justiça responsável pela análise e julgamento dos pedidos. Mas uma vaga de emprego é o que a maioria dos imigrantes venezuelanos procura ao chegar ao Brasil. 

Os cruzamentos da capital de Roraima estão tomados por ambulantes vendendo frutas, água e lavando os para-brisas dos carros. Em alguns locais, mais de dez pessoas disputam a atenção e o dinheiro de quem passa por ali. A maioria dos ambulantes são venezuelanos que esperam ajudar os familiares.

O pedreiro José Pérez está há cinco meses em Roraima. Ele chegou de ônibus com um grupo de 23 venezuelanos e passou a morar na rua. “Estou tentando arranjar emprego para poder mandar dinheiro para minha filha”, disse. 

O comerciante Leandro Baez vendeu tudo o que tinha para pagar dívidas e, ao ver filhos e netos ficando magros pela fome, veio tentar a sorte no Brasil. “Meu filho conseguiu trabalho, mas todos queremos trabalhar para podermos buscar nossas crianças, porque aqui no Brasil há comida.”

Há cerca de um mês trabalhando nos semáforos de Boa Vista, Tánia Vázquez veio para o Brasil com amigos em busca de emprego, mas deparou com inúmeras portas fechadas por não dominar o português. “Na Venezuela, não tem comida. Viemos para tentar juntar dinheiro e mandar para nossa família que ficou lá.” 

Um grupo de trabalho, formado por 12 instituições sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, monitora a presença dos imigrantes também no Amazonas. Levantamento feito em fevereiro identificou 117 venezuelanos em Manaus, sendo 95% indígenas que atravessaram a fronteira no município de Pacaraima, em Roraima. A maioria vive em habitações improvisadas como abrigos na rodoviária.

 

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