Dois milhões de peregrinos vão rumo ao monte Arafat

Cerca de 2 milhões de peregrinos tomaram nesta quarta-feira automóveis e ônibus ou se penduraram na capota dos veículos para a curta viagem entre a Meca e o monte Arafat, onde participam de um ritual interpretado como uma prefiguração do Juízo Final.A saída em massa dos peregrinos, muitos deles providos de moringas de água e sombrinhas para se proteger do sol, levantou colunas de poeira ao longo do caminho, enquanto os engarrafamentos do trânsito se estendiam até onde a vista alcançava. CorãoUm vasto coro de "A Teu serviço, Senhor, a Teu serviço" emanou das multidões que entoavam o cântico dos peregrinos a caminho de Mina, a cidade de tendas, onde passariam a noite antes de sair, ao amanhecer, rumo ao Monte Arafat.Neste ano, cerca de 2 milhões de muçulmanos realizam a peregrinação, chamada em árabe de "haj". O Corão ordena que todo muçulmano em bom estado físico deve ir pelo menos uma vez em sua vida à Meca, se puder arcar com os gastos da viagem. Campanha de ódioA peregrinação deste ano ocorre em um momento em que muitos entre o 1,2 bilhão de muçulmanos do mundo acreditam que sua religião, nascida na Meca há 14 séculos, está sendo alvo de uma campanha de ódio por parte do Ocidente após os ataques de 11 de setembro nos EUA. O saudita exilado Osama bin Laden e sua rede terrorista Al-Qaeda foram responsabilizados pelos ataques, que deixaram milhares de vítimas e levaram à campanha militar liderada pelos EUA contra o governo taleban do Afeganistão, quando este se recusou a entregar Bin Laden às autoridades para ser levado a julgamento. ?Islã é vítima?Quinze sauditas estavam entre os 19 indivíduos que seqüestraram quatro aviões em 11 de setembro. Dois desses aviões se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center de Nova York, outro contra o Pentágono em Washington e um quarto caiu sobre um terreno desocupado na Pensilvânia. "O Islã se tornou vítima do 11 de setembro", disse Ahmad Turkistani, um saudita que encabeça o Instituto de Estudos Islâmicos e Arábicos dos EUA. ?Temos que distanciar o Islã das práticas errôneas de alguns de seus seguidores e protegê-lo dos que desejam associá-lo com a violência e a destruição", disse Turkistani.

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