Eitan Abramovich/AFP
Eitan Abramovich/AFP

Argentina nega que 'ruídos' detectados sejam de submarino desaparecido

Segundo porta-voz, análises das gravações indicam que os sons são da vida marinha, não de alguém batendo no casco da embarcação

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2017 | 18h31
Atualizado 22 Novembro 2017 | 08h48

O submarino ARA San Juan, que desapareceu com 44 pessoas em 15 de novembro, mobiliza uma operação sem precedentes na história, segundo informações do jornal argentino Clarín. A publicação argentina detalha a preparação de resgate como uma operação "hollywoodiana": aviões militares, caminhões indo e voltando com ferramentas e equipamentos de última geração e dezenas de militares mobilizados. 

+++ Submarino argentino relatou avaria antes de desaparecer

"Apesar de termos treinado, não existe antecedentes de algo similar", disse o capitão da operação, Michael Oberlein. "Temos a melhor tecnologia". Um dos equipamentos de resgate conta com quatro veículos submergíveis não-tripulados e uma sonda para tentar localizar o submarino - todos comandados por controle remoto.

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Se encontrarem a embarcação, uma câmara de resgate pressurizada será enviada para salvar os tripulantes. Serão seis por viagem em uma operação similar com o que ocorreu com os mineiros do Chile em 2010, informa o Clarín

 +++ Primeira submarinista mulher da América do Sul estava a bordo do San Juan

Ruídos

Análises revelaram que os “ruídos” detectados no Oceano Atlântico não são do submarino ARA San Juan, informou na noite de segunda-feira Enrique Balbi, porta-voz da Marinha. Segundo ele, o estudo dos ruídos indicam que eles não correspondem a algo sendo golpeado contra o caso do submarino, como se cogitou inicialmente, mas são de origem biológica.

Ele acrescentou que, de todas as formas, navios oceanográficos argentinos com sonda, que estão sendo usados para vasculhar o leito marinho desde o local onde se detectou o ruído, vão voltar ao local "para que não fiquem dúvidas".

Primeira submarinista da América do Sul estava a bordo do San Juan

Durante a tarde, Balbi informou que os ruídos tinham sido registrados por sonares. As gravações foram levadas para a base naval de Belgrano, onde foram analisadas.

Segundo o porta-voz da Marinha, os sinais “foram detectados a 360 quilômetros” da costa argentina, a uma profundidade de 200 metros”. O ponto, segundo Balbi, “coincide com o caminho que o submarino tomaria para chegar à base como estava previsto”.

Problemas

De acordo com Gabriel Galeazzi, comandante da Base Naval de Mar del Plata, 400 quilômetros ao sul de Buenos Aires, onde o submarino deveria ter chegado, antes de desaparecer, o submarino teria emergido e comunicado uma avaria nas baterias. “Por isso, o comando da Marinha lhe disse que mudasse sua rota e viesse para (a base de) Mar del Plata”, afirmou o militar.

Segundo Galeazzi, o comandante do submarino informou em seu último contato que houve um “curto-circuito que teria ocorrido nas baterias” do submarino. 

+++ Submarino argentino relatou avaria antes de desaparecer no Atlântico

A Marinha argentina não relacionou, contudo, as avarias ao desaparecimento da embarcação. Segundo o comando naval, o problema não teria sido motivo para afetar, naquele momento, a capacidade de propulsão do submarino. “Depois, nos informaram por comunicação satelital – com o submarino submerso – que estavam sem novidades e continuavam navegando em imersão”, afirmou Galeazzi.

Pouco antes, a Marinha argentina havia informado que as tentativas de chamadas telefônicas via satélite detectadas no sábado, que tinham sido atribuídas à embarcação, não partiram do submarino desaparecido. “Recebemos oficialmente o relatório da empresa que investigou todos os sinais e explicou que as sete tentativas de comunicação do sábado não têm correspondência com o telefone satelital do submarino”, afirmou o porta-voz da Marinha.

Os sete telefonemas, que fizeram aumentar as esperanças de que a embarcação seria localizada, foram detectados com a colaboração de uma empresa americana especializada em comunicação via satélite. “Em condições normais, o submarino pode passar 90 dias sem ajuda externa, em relação a combustível, água, óleo e oxigênio. Isso fazendo snorkel para renovar o ar e carregar as baterias. Isso é feito uma vez por dia ou a cada dois ou até três dias. Essas são as condições normais”, explicou Balbi, segundo o jornal argentino Clarín

+++ Tentativas de chamadas telefônicas via satélite detectadas no sábado não vieram do submarino 

De acordo com o porta-voz da Marinha, no entanto, se a embarcação foi obrigada “a subir à superfície e está de escotilha aberta, não teria problemas de oxigênio e nem de mantimentos”. “Entretanto, se eles estiverem no fundo do mar, sem poder sair à superfície por seus próprios meios, de acordo com exercícios realizados por outros países, se calcula uma capacidade de sobrevivência de até sete dias”, declarou Balbi. Como o submarino desapareceu há cinco dias, restariam dois dias para tentar encontrá-lo com sobreviventes, segundo ele. 

Ajuda internacional 

As buscas pelo submarino argentino ARA San Juan prosseguem hoje. Mais de 40 embarcações, incluindo barcos pesca, e 8 aeronaves da Argentina e ao menos outros 6 países – Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Reino Unido e Uruguai – participam das operações. A cidade de Comodoro Rivadávia tornou-se o centro logístico das operações de resgate.

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O governo brasileiro acionou o submarino Felinto Perry, a fragata Rademaker e o navio polar Almirante Maximiliano para auxiliar nas operações. O mau tempo, que tem provocado ondas de até 8 metros na região das buscas, continuou atrapalhando as operações, quando fortes tempestades atingiram a região em que o submarino navegava quando desapareceu.

O submarino ARA San Juan navegava entre o porto de Ushuaia e a base de Mar del Plata, a cerca de 400 quilômetros da costa, quando perdeu contato. Todos os navios na zona, assim como as bases do litoral, foram comunicados que deveriam informar qualquer visualização do submarino. Até a segunda, porém nenhum sinal tinha sido detectado na superfície.

Visita de Macri 

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, visitou os familiares dos 44 tripulantes do submarino da ARA San Juan, que está desaparecido no Oceano Atlântico desde quarta-feira. Desde que foi anunciada a perda de contato com a embarcação, o presidente argentino vinha recebendo críticas da oposição pela demora em abordar o tema.

As críticas aumentaram quando Macri decidiu passar o fim de semana prolongado – também foi feriado na Argentina – descansando com a família na cidade de Chapadmalal, uma espécie de retiro espiritual do presidente. Na segunda, no entanto, ele optou por interromper o descanso e viajar até Mar del Plata, localizada a cerca de 26 quilômetros de distância, onde está a maioria dos parentes dos marinheiros. O encontro durou cerca de 30 minutos.

Em Mar del Plata, Macri se reuniu também com o vice-comandante da Marinha, o almirante Miguel Angel Morecolo, e com o chefe do comando do Atlântico, o contra-almirante Gabriel González. Eles entregaram ao presidente um relatório completo sobre o estado das buscas e dos possíveis cenários nas próximas horas. Desde sexta-feira, o ministro da Defesa, Oscar Aguad, está em Mar del Plata para se encarregar da operação.

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Uma equipe de cinco psicólogos e um psiquiatra da Marinha e do Ministério da Defesa trabalha 24 horas dando apoio aos parentes dos marinheiros desaparecidos. De acordo com os psicólogos, todos estão vivendo “uma situação de angústia muito profunda” quando eles ouvem notícias sobre a falta de oxigênio no submarino.

Enrique Stein, um dos psicólogos, disse que a reação dos parentes varia de acordo com as informações que eles vão recebendo. “Quando mais o tempo passa, e as informações que chegam não são aquelas que eles esperavam, mais importante se torna o acompanhamento profissional”, disse Stein. “O melhor ansiolítico para eles, no entanto, continua sendo a verdade.” /REUTERS, AFP, EFE e AP

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