EFE/Lenin Nolly
EFE/Lenin Nolly

Dois países enviarão aviões a centros de apoio da ajuda humanitária à Venezuela, diz opositor 

Deputado opositor afirma que duas aeronaves entregarão comida e remédios em centros de distribuição na fronteira venezuelana

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2019 | 16h46

Dois países, um da América Latina e outro da Europa, enviarão aviões a centros de apoio instalados na fronteira da Venezuela para fazer entrar a ajuda humanitária ao país, afirmou nesta quinta-feira, 14, o deputado opositor José Manuel Olivares. 

Olivares deu as declarações à imprensa na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington onde ocorreu a Conferência Mundial sobre a Crise Humanitária na Venezuela com a participação de especialistas, diplomatas e empresários de mais de 60 países. 

"Posso dizer que há dois países, um na Europa e outro na América Latina, prontos para enviar um avião para centros de apoio", disse Olivares, sem especificar quais seriam esses países.


Durante o evento, representantes do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, anunciaram ter arrecadado mais de US$ 100 milhões em ajuda humanitária para o povo venezuelano. A prioridade é fazer com que as doações cheguem à Venezuela no dia 23, conforme vem anunciando Guaidó, que foi reconhecido por quase 50 países como presidente interino.

 

Segundo David Smolansky, um dos nomes da oposição e parte da delegação de Guaidó na OEA, vários países se comprometeram com doações e logística para apoiar a chegada de ajuda humanitária à Venezuela. Os mais de US$ 100 milhões representam a soma do que já havia sido anunciado por nações como EUA e Canadá, segundo a delegação venezuelana. 

“Arrecadamos US$ 100 milhões de dólares e isso demonstra a solidariedade para a luta democrática na Venezuela. Essa é uma pequena parte de tudo que podemos alcançar uma vez que acabe a usurpação (de poder por Nicolás Maduro)”, afirmou Carlos Vecchio, encarregado de negócios da Venezuela nos EUA. “Não há forma de resolver a crise se não cessarmos a ditadura.” 

Desde o reconhecimento de Guaidó por parte da comunidade internacional como presidente interino da Venezuela, países começaram a anunciar valores disponíveis para remédios e alimentos. Os EUA já haviam oferecido US$ 20 milhões para ajuda humanitária à Venezuela. O Canadá anunciou US$ 40 milhões. Além dos dois países, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Taiwan se comprometeram com as doações, segundo os venezuelanos.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, disse ontem que outras conferências serão organizadas para debater a crise. “A ajuda humanitária que a Venezuela mais precisa é uma mudança de regime, é o fim da ditadura”, afirmou. Os representantes de Guaidó convidaram empresários, diplomatas, especialistas e ONGs de 60 países para o que chamaram de Conferência Mundial da Crise Humanitária da Venezuela, organizada na sede da OEA, em Washington. A organização do evento chegou a anunciar a participação de Guaidó em transmissão ao vivo no encerramento da conferência, mas a conexão não funcionou.

Lester Toledo, um dos nomes da oposição e representante de Guaidó, disse que a entrada dos alimentos e remédios será feita por meio dos venezuelanos. “Gente e mais gente, organizadas, pacíficas”, afirmou Toledo. Uma das pontes por onde a ajuda humanitária entraria, na semana passada, foi bloqueada. Maduro acusa os EUA de usarem a entrada da ajuda para um golpe de estado e a vice-presidente, Delcy Rodríguez, chegou a afirmar que os produtos enviados pela comunidade internacional eram contaminados e cancerígenos.

O chanceler de Maduro, Jorge Arreaza, disse ontem na ONU que o governo estava criando um grupo de 50 países para denunciar o que consideram a ameaça de uma invasão militar dos EUA. Arreaza esteve acompanhado de diplomatas de países como Rússia, China, Cuba e Nicarágua.

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