HO / Irib TV / AFP
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Dois petroleiros são atacados no Golfo de Omã; EUA suspeita de Irã

Segundo a versão iraniana, dois petroleiros se envolveram em um 'acidente' e a Marinha do país resgatou 44 pessoas; incidente aumenta tensão entre Irã e Arábia Saudita, e fez preço do petróleo aumentar 3,85%

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2019 | 07h34
Atualizado 13 de junho de 2019 | 15h09

DUBAI - Dois navios petroleiros foram atacados no Golfo de Omã nesta quinta-feira, 13, com explosões que obrigaram as tripulações a abandonarem as embarcações. O possível ataque, perto Estreito de Ormuz , área estratégica por onde passa um quinto de todo o transporte de petróleo do mundo, fez o preço do barril aumentar 3,85%, e ocorre um mês após quatro incidentes similares acontecerem na região.

A natureza dos ataques ainda não foi determinada, mas as explosões aumentam as tensões entre o Irã, acusado de ter sido o autor dos ataques, e a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Os países, rivais de longa data, estão em lados contrários na Guerra do Iêmen. Também aumenta a crise entre entre o Irã e os Estados Unidos. Washington acusa Teerã de ser responsável pelo primeiro caso em maio.

Segundo a versão iraniana, dois petroleiros se envolveram em um "acidente" e a Marinha do país resgatou 44 pessoas. A Quinta Frota da Marinha americana afirmou que estava a par de um "ataque" contra petroleiros em Omã. "Forças navais americanas na região receberam dois pedidos de socorro distintos, às 6h12 (23h12 em Brasília) e às 7h (0h em Brasília)", afirma a nota. O comunicado explica que "navios americanos estão na região e prestam assistência".

De acordo com as autoridades da Noruega, o petroleiro Front Altair, que pertence ao grupo norueguês Frontline, foi "atacado" e houve três explosões a bordo, que não deixaram feridos. Um ataque na mesma região teria atingido outro petroleiro, o Kokuka Courageous, informou a Direção Norueguesa de Assuntos Marítimos em um comunicado.

A imprensa oficial do Irã afirmou que equipes de resgate do país retiraram 44 pessoas das duas embarcações, levando-as em segurança até o porto de Jask. Os possíveis ataques aconteceram um dia depois de rebeldes iemenitas houthis, aliados do Irã, atacarem um aeroporto na Arábia Saudita, ferindo 26 pessoas. O mesmo grupo assumiu a autoria de ataques via drone em estações de bombeamento de um oleoduto saudita no mês passado.

A Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, baseada no Bahrein, disse estar ajudando os dois navios, que emitiram pedidos de alerta perto da costa dos Emirados Árabes Unidos.

As primeiras informações sobre as explosões vieram da mesma agência estatal libanesa associada ao Hezbollah que noticiou os ataques similares que aconteceram em maio. Uma investigação determinou que os incidentes do mês passado teriam sido causados por minas limpet , que é presa magneticamente às embarcações. A Arábia Saudita e os Estados Unidos culparam publicamente o Irã, que rejeitou a acusação. Na ocasião, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos afirmaram que ataques desse tipo representam um risco para a segurança regional e para a distribuição global de petróleo.

As tensões se intensificaram tanto que outras nações pediram a todos que mantivessem a calma, em vez de provocar uma guerra total. Na quarta-feira, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que visitava o Irã e se reuniu com o presidente Hassan Rohani e com o aitolá Ali Khamenei, alertou sobre o risco de entrar em conflito militar.

No mês passado, Jeremy Hunt, o secretário de relações exteriores do Reino Unido e candidato à liderança do Partido Conservador e ao cargo de novo premiê britânico, disse: "Estamos muito preocupados com o risco de um conflito acontecer por acidente com uma escalada que não é intencional em nenhum dos lados".

Não ficou imediatamente claro como os ataques mais recentes foram realizados ou por quem, assim como as circunstâncias dos ataques do mês passado permanecem obscuras. Os dois navios que foram atingidos na quinta-feira pareciam ter sido mais seriamente danificados do que os atingidos em maio.

Em uma visita aos Emirados Árabes Unidos, há cerca de duas semanas, John Bolton, conselheiro de segurança nacional do presidente Donald Trump, disse sem revelar qualquer evidência de que o Irã "quase certamente seria responsável pelos ataques” de maio, que as autoridades iranianas negaram. "Quem mais você acha que está fazendo isso?", Perguntou Bolton.

Mas outras autoridades americanas e adversários regionais do Irã têm sido mais cautelosos em atribuir publicamente a culpa. As autoridades dos Emirados descreveram os ataques como patrocinados pelo estado, mas não especificaram um estado.

Trump repudiou o acordo de 2015 que limita o programa nuclear do Irã, e recentemente ele se retirou para cortar as exportações de petróleo do Irã e enviou forças militares adicionais para a região. Em resposta, o Irã recentemente ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, o acesso crucial ao Golfo Pérsico, e disse que pode reduzir sua conformidade com partes do pacto nuclear.

 

Ataque a petroleiros em região estratégica

O Golfo do Omã fica próximo ao estratégico Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial por onde transitam quase 15 milhões de barris de petróleo e centenas de milhões de dólares em outras mercadorias.

A agência de notícias S&P-Platts informou que o Front Altair, construído em 2016 e com bandeira das Ilhas Marshall, pegou fogo e sua tripulação teve de ser retirada.

No dia 12 de maio, quatro petroleiros - dois sauditas, um dos Emirados Árabes Unidos e um norueguês - foram atingidos por ataques ainda não explicados no Golfo do Omã. O governo americano afirmou que o ataque foi provocado "quase com toda certeza" por minas navais iranianas.

O governo dos Emirados anunciou na semana passada que os primeiros resultados de uma investigação realizada por cinco países e entregue à ONU aponta para a possibilidade de que um Estado estava por trás das bombas, mas indicou que não há provas de que seria o Irã.

O incidente desta quinta-feira aconteceu depois que o Irã, que apoia os rebeldes houthis no Iêmen, anunciou na quarta-feira o disparo de um míssil contra o aeroporto de Ahba na Arábia Saudita. As autoridades sauditas afirmaram que 26 pessoas ficaram feridas.

O Irã rejeita as acusações americanas sobre os ataques de maio, mas a Arábia Saudita, sua rival regional, considera Teerã responsável.

O rei saudita Salman advertiu no início do mês, em uma reunião da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que os ataques "terroristas" na região do Golfo poderiam afetar o abastecimento mundial de petróleo. / NYT, AFP e REUTERS

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