Dois são resgatados na China após 139 horas soterrados

Cerca de 33 mil pessoas foram retiradas com vida dos escombros; número de mortos por tremor chega a 32 mil

Efe e Associated Press,

18 de maio de 2008 | 11h06

A Xinhua, agência oficial de notícias da China, comunicou que duas pessoas foram encontradas vivas depois de terem ficado soterradas por 139 horas na província de Sichuan. No total, cerca de 33 mil pessoas foram retiradas com vida dos escombros quase uma semana após o terremoto que atingiu o país. Segundo o último balanço do governo, mais de 32 mil pessoas morreram, embora Pequim já tenha anunciado esperar que o número de vítimas supere 50 mil.   Veja também: China declara luto por tremor e interrompe trajeto da tocha Premiê Wen afaga vítimas e reforça popularidade  Ouça o relato da jornalista Cláudia Trevisan  Mapa da destruição na China  Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia Vídeo com imagens do terremoto  Vídeo com imagens do resgate    Um dos sobreviventes, Tang Xiongwas, foi resgatado em Beichuan, em um hospital desmoronado, na região norte da província. A agência informou que Tang estava apenas levemente machucado quando foi resgatado. Zhang Xiaoping, foi retirada de um edifício em Dujiangyan, uma das cidades mais afetadas. Porém, foi preciso amputar as suas pernas, que estavam presas por placas de cimento.   Chegar a Wenchuan, o epicentro do terremoto que arrasou a China no último dia 12, continua sendo tarefa muito difícil, porém, em companhia dos milhares de soldados que viajam ao lugar para ajudar às vítimas, é possível entrar e ter uma idéia da dor e da destruição. A estrada para Yinxiu, o povoado mais devastado do distrito (sete mil de seus dez mil habitantes morreram), está tomada por grandes pedras e automóveis sob os escombros, o que fez com que nos primeiros dias só fosse possível chegar lá de pára-quedas.   Uma outra forma de chegar ao povoado é com lanchas usadas pelo Exército Popular de Libertação para enviar ajuda humanitária a esta remota zona, situada ao norte da província de Sichuan. Nas lanchas, os soldados, a maioria com menos de 20 anos, dizem, cheios de patriotismo, que trabalham 24 horas por dia para ajudar Wenchuan, uma zona que era bastante apreciada por turistas. "Não durmo, e ainda que tentasse, não poderia. Há tanto sofrimento, e viemos ajudar", disse o soldado Sun, de 22 anos, que, junto com seu regimento, chega à província de Jiangsu.   O barco sobe o rio Min, que há mais de dois mil anos conserva o que é hoje a mais antiga obra hidráulica do mundo, um Patrimônio Mundial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que, da mesma forma que o resto da zona, ficou gravemente danificado.   Nos acampamentos, junto aos soldados, estão dezenas de pessoas das montanhas que fogem dos deslizamentos de terra e que perderam tudo. "Minha mulher e meu filho morreram. Não sobrou ninguém, isto é muito cruel", diz com amargura Hui Lian, um dos "refugiados". A maioria, no entanto, prefere não dizer uma palavra sobre o terremoto, porque só se lembram de um pânico geral e da perda de seus entes queridos.   Os soldados não falam muito com os jornalistas, dizendo que a única coisa que fazem todos os dias é seguir as ordens de seus superiores. Um dos dirigentes das operações olha com receio para os repórteres. "Não é da 'CNN', não?", pergunta em alusão aos problemas que os chineses tiveram com a rede americana devido a cobertura do conflito no Tibete.   Matéria atualizada às 13h50.

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