Dois supostos membros da ETA são presos na França

Dois supostos membros da organização separatista basca ETA foram presos nesta terça-feira na França, após a acusação feita ao grupo por um atentado em Madri.Um dos detidos, identificado por Asier Larrinaga Rodriguez, tem ligação com o esconderijo de armas descoberto em 23 de dezembro na cidade Basca de Amorebieta e também aos explosivos encontrados semana passada na mesma àrea, disse o ministro do Interior espanhol em um relato.Não foi identificada ainda alguma ligação entre o segundo suspeito e a ETA. A prisão foi feita pela polícia francesa, juntamente com militares espanhóis, em torno da região de Ascain. Pelo menos uma arma foi encontrada.Ministro espanhol não acredita em trégua com ETAO ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, considera que, após o atentado no terminal T-4 do aeroporto de Madri, em 30 de dezembro, "nunca mais haverá outra trégua crível com a ETA".Em entrevista de 90 minutos concedida na segunda-feira, publicada hoje pelo jornal The New York Times, Rubalcaba afirma que o grupo terrorista basco "faltou com sua palavra, enganou", porque com o atentado quebrou a trégua que mantinha desde 2003 sem que se saiba o motivo.A ETA "tem uma lógica diferente, uma lógica assassina,psicopata", disse, ao considerar que "da próxima vez que anunciarem uma trégua, todo mundo dirá: uma trégua como a de Barajas", referindo-se ao aeroporto de Madri onde ocorreu o atentado."Ninguém sabe por que a ETA fez isso, porque vimos o Batasuna (braço político da ETA) sacudido totalmente" pelo atentado, disse o ministro, acrescentando que o grupo terrorista "enganou até seu braço político"."A ETA decidiu em 2003 parar de matar", disse Rubalcaba ao The New York Times, acrescentando que, "o que nos perguntamos agora é se esta decisão está sendo reconsiderada. Não sabemos".Sobre o arsenal de 350 pistolas encontrado em outubro passado na França e pertencente à ETA, além de outros recentes indícios de que o grupo não tinha renunciado à violência, Rubalcaba disse que "certamente não gostamos destes atos e nunca baixamos a guarda, mas olhando o histórico da ETA, nunca rompeu uma trégua sem avisarPreviamente".O ministro espanhol, que acha que as duas mortes causadas pelo atentado "provavelmente não faziam parte do plano da ETA", disse que cerca de uma hora antes foram feitos quatro telefonemas de advertência sobre a bomba, duas delas ao serviço de emergência basco, outra aos bombeiros em Madri e a quarta ao jornal "Gara", e nesta última "ninguém respondeu ao telefone".Três das ligações foram feitas em intervalos de 3 minutos, uma em nome da ETA, e nelas anunciava-se que a bomba explodiria às 9h e davam detalhes sobre a caminhonete roubada onde estavam os explosivos e que estava estacionada no estacionamento do aeroporto.O ministro disse estar convencido de que o atentado foi cometido pela ETA e não por terroristas islâmicos, porque estes últimos "não dão uma advertência, os radicais islâmicos querem matar muita gente".

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