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REUTERS/Jean-Paul Pelissier
REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Dois terços dos britânicos são contra burca

A exemplo de França e Alemanha, britânicos rejeitam cada vez mais véus integrais islâmicos; premiê afasta discussão

Andrei Netto, Enviado Especial / Londres, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2017 | 05h00
Atualizado 26 de março de 2017 | 05h00

O extremismo muçulmano, a ameaça terrorista e a rejeição crescente à imigração no Reino Unido está colocando em xeque o modelo de integração adotado pelo país nos últimos 40 anos. Até há pouco orgulhosos de sua abordagem multicultural, do respeito absoluto da cultura original do imigrante, os britânicos demonstram intolerância crescente com o uso ostensivo de tradições e símbolos religiosos no espaço público. 

Pesquisas indicam que dois terços da população defende a proibição da burca e do jihab, os véus integrais usados por mulheres muçulmanas. Essa tendência também foi verificada em outros países da Europa, como França e Alemanha, que já proibiram a vestimenta no espaço público ou estão elaborando legislação a respeito. 

No ano passado, um levantamento do instituto YouGov realizada no ano passado indicou que 57% dos entrevistados defendem o banimento da burca e do jihab, enquanto 25% são contrários à intervenção do Estado no assunto. Entre os grupos etários, apenas jovens com idade entre 18 e 24 anos se disseram majoritariamente contra o banimento da burca.

A polêmica sobre o tema é forte nas redes sociais, em que proliferam páginas a respeito. Legendas radicais, como o Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), de Nigel Farage, e grupos de extrema direita como Britain First – que realizará protesto contra o terrorismo islâmico neste fim de semana em várias cidades –, transformaram o assunto em bandeira. 

Em 2016, o então primeiro-ministro, David Cameron, chegou a apoiar uma legislação a respeito “em defensa dos direitos da mulher”, dada a pressão crescente da opinião pública. Sua sucessora, Theresa May, porém, descarta o banimento legal da burca.

Em Londres, onde vivem 607 mil muçulmanos – a maior minoria religiosa, com 12,4% da população –, e em periferias como Newham ou Tower Hamlets, onde os muçulmanos chegam a 30% da população, o tema do banimento causa indignação. 

Surfaraz Mustafa, 20 anos, porta-voz da mesquita Fazl, em Wandsworth, no sudoeste de Londres, reclama do debate.

“Quem somos nós para impor algo a alguém? Muita gente vê a burca como a opressão da mulher, mas as mulheres de nossa comunidade são mais educadas que os homens. São médicas, estudantes, pessoas que têm vidas profissionais ativas. O Islã é uma religião que promove os direitos das mulheres”, argumenta Mustafa. “Proibir a burca é oprimir a mulher.”

Em todas as mesquitas visitadas pelo Estado, o uso da burca foi apontado como um sinal de liberdade de escolha da mulher muçulmana. Mas nenhuma mulher foi autorizada a falar com a reportagem sobre o tema.

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