Felipe Corazza/Estadão
Felipe Corazza/Estadão

Dólar paralelo atinge novo valor histórico na Venezuela

Nesta segunda-feira, moeda americana é comercializada a mais de 5 mil bolívares; para analista, protestos e emissão de dinheiro sem lastro causaram escalada

O Estado de S.Paulo

08 Maio 2017 | 13h47

CARACAS - O dólar paralelo na Venezuela alcançou nesta segunda-feira, 8, uma nova marca histórica ao supera a barreira dos 5 mil bolívares, o que representa uma desvalorização de 9,87% em relação ao dia 19 de abril, data do antigo pico da moeda, de 4.601,57 bolívares por dólar. Às 13h30 desta segunda, de acordo com a cotação do site dolartoday.com, a moeda americana era comercializada por 5.113,87 bolívares. 

O governo chavista monopoliza desde 2003 as divisas estrangeiras e só vende dólares a pessoas físicas para a importação de produtos básicos como alimentos e medicamentos, mas usa uma taxa de câmbio 510 vezes menor que no mercado paralelo. O resto dos bens do país, importados pelo setor privado, muitas vezes são comprados com moeda obtida no mercado paralelo, já que a taxa oficial para empresas está em 719,3 bolívares por dólar.

O economista Asdrúbal Oliveros relaciona esta escalada da moeda americana no mercado paralelo na Venezuela com os protestos da oposição que exigem eleições gerais antecipadas desde o dia 1º de abril e também com a emissão de dinheiro sem lastro feita pelo governo.

Oliveros diz que diante das mobilizações opositoras, o governo deu ênfase para o aspecto político e "se descuidou do econômico". "Há uma 'seca' de dólares no mercado e há mais bolívares nas ruas, o que dispara o valor da moeda americana. A incerteza política potencia este cenário", disso o diretor da consultoria Ecoanalítica.

No dia 30 de abril o presidente venezuelano, Nicolás Maduro aumentou o salário mínimo do país em 60%, o que também contribui para esse efeito. Antes disso, no fim de março, a Venezuela anunciou uma nova taxa de câmbio para aumentar a oferta de dólares para o setor privado e "vencer o dólar criminoso", com leilões semanais - até o momento, no entanto, a medida ainda não foi concretizada.

A queda dos preços do petróleo em 2014 causou uma escassez de dólares no país, o que obrigou o governo a reduzir drasticamente as importações, acentuando a escassez de alimentos e remédios. 

De acordo com o FMI, a inflação na Venezuela deve fechar 2017 em 720%. Maduro atribui a atual crise a uma "guerra econômica" da oposição, apoiada pelos Estados Unidos para tirá-lo do poder.

"O aumento do dólar aprofundará a recessão e causará mais inflação porque cada vez mais os produtos são trazidos para o país com o dólar livre (paralelo)", diz Oliveros. "Isto trará mais escassez também porque a oferta de divisas internacionais também é menor. A isto, ainda temos que somar os problemas de saques em várias cidades e falta de distribuição em razão dos bloqueios de vias públicas", concluiu o analista.

De acordo com estudo da Ecoanalítica, o dólar paralelo pode fechar o ano de 2017 valendo até 8,1 mil bolívares, o que elevaria para 5,1 mil o valor médio da moeda americana no mercado paralelo neste ano. / AFP

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