Dólar paralelo dispara e assusta venezuelanos

Indícios de que país está à beira da hiperinflação e medida do governo que eleva emissão de bolívares fazem doleiros interromper venda da moeda

CARACAS, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2015 | 02h02

O dólar paralelo na Venezuela sofreu uma brusca valorização ontem e ultrapassou a barreira dos 400 bolívares, o que levou os doleiros a interromper suas vendas ao longo do dia, em meio a boatos de que o país teria entrado em hiperinflação e um novo plano cambial seria anunciado pelo presidente Nicolás Maduro. Em oito dias, a moeda venezuelana perdeu 25% do valor no mercado negro.

Sites na internet e aplicativos de celular usados amplamente no país para monitorar o preço do dólar no mercado negro registraram a valorização da moeda americana, que na tarde de ontem era vendida a 415 bolívares. Em 14 de maio, US$ 1 custava 300 bolívares. No começo do ano, 173 bolívares. Quando Maduro assumiu o governo, esse valor era de 24 bolívares.

A origem da corrida aos dólares pelo mercado paralelo não estava clara até a noite de ontem. Um relatório divulgado pelo banco britânico Barclays indicava que a causa poderia ter sido um súbito aumento na impressão de papel-moeda do Banco Central Venezuelano.

"Não vemos nenhum sinal de mudança vindo das autoridades venezuelanas, mas esse risco (de hiperinflação) deveria fazê-los reconsiderar suas políticas", diz o texto. O banco projeta que até o final do ano o dólar pode subir no mercado paralelo para 600 bolívares.

O Dolar Today, um dos principais sites que monitoram o mercado paralelo de câmbio e geralmente publica também notícias críticas ao chavismo, informou que a Venezuela estava perto da hiperinflação. O Banco Central da Venezuela ainda não divulgou as taxas mensais da alta de preços deste ano.

A Venezuela tem um complexo sistema de bandas cambiais e controle na venda de moeda estrangeira. Mais de 70% das divisas que entram no país, quase em sua totalidade pelas receitas obtidas com a venda do petróleo, são vendidas para entidades do próprio Estado responsáveis pela compra de alimentos e remédios a um valor preferencial de 6,30 bolívares por dólar. A outra banda, o Sicadi, voltada para alguns setores da iniciativa privada, trabalha com o dólar a 12 bolívares e responde por 20% dos dólares liquidados. A terceira, o Simadi, que responde pelos 10% restantes, varia conforme a oferta e a procura e está aberta para pessoas físicas e jurídicas. Custa 200 bolívares.

"A economia está em queda livre em razão de uma crise autoinduzida, uma vez que o governo se nega a desvalorizar o câmbio, mantendo-o artificialmente em 6,30 bolívares", criticou o economista Francisco Ibarra, da consultoria Econométrica. / AP e EFE

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