Marco Bello|Reuters
Marco Bello|Reuters

Dólar paralelo ultrapassa os mil bolívares na Venezuela

Moeda americana no mercado negro vale cinco vezes mais do que era cotada em fevereiro do ano passado

O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2016 | 20h28

CARACAS - O dólar paralelo na Venezuela superou ontem pela primeira a barreira dos mil bolívares. O valor estipulado em sites que monitoram o preço informal é 160 vezes maior que a banda cambial mais barata determinada pelo governo, equivalente a 6,3 bolívares. Há um ano, esse valor era cerca de cinco vezes menor.

Economistas atribuem a escalada exponencial do mercado paralelo ao sistema de controle de divisas implementado pelo governo chavista em 2003. Hoje, a Venezuela tem três bandas cambiais: uma de 6,30 bolívares, utilizada em contratos do governo e na importação de bens de primeira necessidade; uma de 13,5 bolívares usada na liquidação de divisas para a iniciativa privada e outra de 200 para pessoas físicas. 

“Há uma distorção descomunal, que não tem paralelo. Um grupo minúsculo (no governo) tem 160 vezes o poder de compra que o resto da população”, disse o economista Ángel García Banchs, da consultoria Econométrica.

Mesmo com o sistema de bandas, o governo venezuelano diminuiu drasticamente a oferta de dólares a iniciativa privada. Entre o 3º trimestre de 2014, e o 3º trimestre de 2015 - o último dado disponível - a saída de dólares do BCV caiu 60%. “Desmantelar o controle cambial é uma necessidade urgente”, disse o economista Pedro Palma, da consultoria Ecoanalítica. 

Como a maioria dos produtos no país é importado e os empresários muitas vezes recorrem ao câmbio negro para conseguir dólares, a inflação dispara e afeta a população. 

“Eu não tenho dólares, mas quando vejo que (o mercado paralelo) subiu já penso que tudo vai subir mais”, disse Juana Suárez, que trabalha em uma empresa de limpeza de Caracas, onde ganha 16 mil bolívares por mês. / AFP

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