Dominicanos buscam ajuda em associação

Vinte e quatro horas depois da queda do Airbus da American Airlines em Nova York, o quarto andar do edifício número 2.410 da Amsterdan Avenue, na faixa hispânica do Harlem, tornou-se o ponto de socorro das famílias dominicanas que haviam perdido seus parentes no acidente. Cerca 60 pessoas se apresentaram na manhã de hoje à Aliança Dominicana, a associação que presta ajuda à comunidade de imigrantes que residem na cidade e que funciona nesse local. Segundo Fernando Mateo, presidente da Associação dos Taxistas de Nova York e um dos líderes comunitários, esse número deverá chegar a 80.A dominicana Confesora Mota, que trabalha como assistente de enfermagem em residências, foi uma das pessoas a recorrer à ajuda da Aliança. Ela soube da queda do Airbus por meio de sua cunhada, Albania Felix, ontem pela manhã. Entre os passageiros do vôo 587 da American Airlines, estava o carpinteiro Carlos Veloz, de 39 anos, com quem era casada há nove anos. Confesora ainda perdeu seus sogros, Braudílio Veloz, de 71 anos, e Marcedez Lucián, de 66, que acompanhavam seu marido em uma visita aos parentes que continuam a viver em Santo Domingo, na República Dominicana."Eu deixei Carlos no aeroporto às 5 horas da manhã. Ali eu me despedi dele", contou ela, amparada por seu filho mais velho Fernando Reyes, de 20 anos, de seu primeiro casamento. "Ele estava tão bonito. Havia passado um período doente, com diabetes. Nós cuidamos dele como se fosse um bebê e ele havia se recuperado para a viagem", completou.O casal Veloz havia emigrado para os Estados Unidos em 1997 e planejava, no próximo ano, celebrar de forma especial os dez anos de casados. Ambos tem um filho, Brian, de seis anos. Sentada em uma poltrona em frente a Confesora, Albania recusou-se a falar com a imprensa sobre a morte de seu irmão e de seus pais e não parava de chorar.Com dificuldades para falar espanhol, a dominicana Joanna Urena, de 22 anos, funcionária de um banco de investimentos, também buscou a ajuda da Aliança, sob o temor de não receber o socorro prometido pela companhia aérea. Ela havia perdido sua avó, Ramona de León, de 76 anos, que havia antecipado sua viagem de férias a Santo Domingo por temor de um novo atentado terrorista. Aposentada, Ramona vivia nos Estados Unidos desde 1986 e morava com a filha, Iveliza, e com a neta Joanna em um apartamento a seis quadras da Aliança Dominicana."Minha avó pretendia passar as festas de final de ano com os meus dois tios, que ainda vivem na República Dominicana. Depois, ela voltaria para Nova York.", afirmou Joanna. "Procurei a Aliança porque não tenho certeza de que a companhia vai nos ajudar. Minha mãe esteve ontem no Hotel Rammada Inn (onde funciona o centro de atendimento da American Airlines aos parentes das vítimas) e preencheu os formulários. Mas não estamos seguras", completou.Segundo Moises Perez, diretor-executivo da Aliança Dominicana cerca de 800 mil dominicanos vivem atualmente em Nova York. Trata-se de uma parcela de 10% da população total da cidade e de cerca de um terço dos habitantes de origem latino-americana. A emigração começou em 1965, depois da intervenção americana na República Dominicana.Na manhã de hoje, a comunidade dominicana do Harlem mobilizou-se entre o amparo às famílias das vítimas e as homenagens e orações. Perez informou que equipes com terapeutas e assistentes sociais estavam naquele momento fazendo visitas às famílias, com a finalidade de oferecer suporte psicológico. "Alguns desses grupos entraram em apartamentos onde 30 a 40 pessoas estavam em estado de profunda angústia", contou ele.Diante da porta do prédio 2.410 da Amsterdan Avenue, velas acesas e um cartaz com as frases "esperança dominicana" e "estamos de luto" marcavam as primeiras reações. Nesse mesmo local, ao lado de Perez, o reverendo dominicano Ruben Díaz anunciou a abertura de uma conta corrente no Banco Popular North Americana (número 0909500141332) e apelou para que os cidadãos de Nova York dessem suas contribuições."Pedimos a ajuda financeira às famílias das vítimas porque elas serão logo esquecidas. Vamos nos lembrar que muitas das pessoas que morreram nesse acidente sustentavam seus lares em Nova York e ainda seus parentes na República Dominicana", apelou Perez.Há cinco quadras dali, na Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, integrantes da comunidade dominicana rezavam diante de uma imagem do Coração de Jesus rodeada de velas em completo silêncio.

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