Dona do jornal Clarín é presa na Argentina

A diretora e principal acionista do grupo editorial Clarín, Ernestina Herrera de Noble, foi detida ontem, acusada pelo delito de "falsificação de documento público". A empresária foi denunciada pela organização de direitos humanos Avós da Praça de Maio, por causa de supostas "irregularidades" nos documentos de adoção de seus filhos Felipe e Marcela Noble. As Avós da Praça de Maio trabalham no sentido de encontrar os filhos dos desaparecidos políticos da ditadura de 1976 que foram adotados por outras famílias após o desaparecimento de seus pais. Alguns nasceram na prisão e foram diretamente levados por oficiais militares, outros foram detidos junto com seus pais e adotados por terceiros, sempre pessoas indicadas pelos militares. O jornal Clarín classificou a detenção de sua diretora como "arbitrária e ilegal" porque Hernestina de Noble "nunca foi convocada pela Justiça para prestar depoimento". O assunto é primeira capa em todos os jornais argentinos, sendo que o Clarín dedicou três páginas para defender sua diretora que "sempre esteve ajudando a Justiça na causa de busca dos filhos dos desaparecidos". A pena para o citado delito varia de três a oito anos de prisão. A causa que levou a dona do Clarín à prisão foi iniciada em 1995 pela denúncia de Ana Elisa Feldmann de Jaján, que questionou a veracidade das certidões de nascimento de Marcela e Felipe Noble Herrera, filhos adotivos de Ernestina de Noble Herrera. A denúncia foi acompanhada pelas Avós da Praça de Maio que suspeitam que estes filhos adotivos poderiam ser um dos casos de adoção de filhos de desaparecidos durante a ditadura. Duas outras causas neste sentido já tinham sido rejeitadas pela Justiça por falta de "elementos básicos e essenciais para sustentar o processo".

Agencia Estado,

18 Dezembro 2002 | 10h46

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