Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Trump ameaça cortar ajuda financeira americana a territórios palestinos

Presidente disse no Twitter que EUA pagam ‘centenas de milhões de dólares' todo ano e não recebem 'qualquer reconhecimento ou respeito’; em resposta, liderança da Autoridade Palestina afirmou que Jerusalém ‘não está à venda’

O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2018 | 02h45
Atualizado 03 Janeiro 2018 | 12h07

WASHINGTON - O presidente Donald Trump ameaçou cortar a ajuda de "centenas de milhões de dólares" dos EUA aos territórios palestinos, ao admitir implicitamente que as negociações com Israel estão estagnadas. A liderança da Autoridade Palestina respondeu nesta quarta-feira, 3, aos comentários e afirmou que Jerusalém não está à venda.  

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"Pagamos aos palestinos centenas de milhões de dólares todo ano e não recebemos qualquer reconhecimento ou respeito", disse Trump em sua conta no Twitter. "Mas como os palestinos já não estão dispostos a negociações de paz, por que devemos fazer esses enormes pagamentos?", questionou.

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Em resposta, Nabil Abu Rudeina, porta-voz da liderança palestina, afirmou: "Jerusalém é a capital eterna do Estado da Palestina e não está à venda em troca de ouro ou de milhões".

Trump foi elogiado por um ministro do governo de direita do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, mas recebeu um alerta de um ex-negociador de paz de Israel a respeito dos riscos de se cortar a assistência financeira aos palestinos.

Em 2016, os EUA destinaram US$ 319 milhões de ajuda aos palestinos por meio de sua agência de fomento ao desenvolvimento (USAID). A este valor se somam US$ 304 milhões concedidos por programas da ONU aos territórios palestinos.

Em seu tuíte, Trump não especificou qual ajuda será eventualmente suspensa. Em uma sequência de mensagens, ele apontou que seu governo "retirou da mesa (de negociação) Jerusalém, o aspecto mais difícil de negociar".

Decisão polêmica

No dia 6 de dezembro, o líder americano anunciou que seu governo reconhecia Jerusalém como a capital de Israel, e havia determinado ao Departamento de Estado o início do processo de mudar para essa cidade a embaixada americana, situada em Tel Aviv.

A decisão de Trump provocou uma onda global de indignação e protesto. Para o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, com esse gesto, os EUA perderam a capacidade de servir como mediador para eventuais negociações com Israel.

No dia 21 de dezembro, a Assembleia-Geral da ONU aprovou por ampla maioria (128 votos a favor, 9 contra e 35 abstenções) uma resolução de condenação à decisão de Trump, o que desagradou a Casa Branca.

Na véspera da histórica votação, Trump havia alertado que seu governo anotaria cada voto para posteriormente discutir a ajuda que destinaria aos respectivos países. Entre as nações latino-americanas, somente a Guatemala anunciou que acompanharia a decisão de Washington de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. / AFP e REUTERS

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