AFP PHOTO / Nicholas Kamm
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Donald Trump discursa em Congresso dividido sobre ações russas

Presidente adota tom moderado, mas investigação sobre influência da Rússia na eleição de 2016 ainda atrapalha seu governo

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 00h39

Em seu primeiro discurso sobre o Estado da União, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez nesta quarta-feira, dia 31, um apelo à unidade perante um Congresso conflagrado em torno da investigação sobre a interferência de Moscou na eleição que o levou à Casa Branca em 2016. “Esse é o nosso novo momento americano”, disse Trump, célebre por declarações ofensivas à oposição, a minorias, ao FBI, a outros países e a integrantes de seu próprio governo.

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"O estado da nossa União é forte, porque nosso povo é forte. Juntos estamos construindo uma América mais forte e orgulhosa", afirmou  Trump. "E há uma coisa da qual eu me orgulho: o desemprego entre afro-americanos chegou ao seu nível mais baixo em todos os tempos. Assim como o desmeprego entre hispano-americanos também chegou ao seu nível mais baixo".

"Desde as eleições, criamos 2,4 milhões de novos empregos, incluindo 200 mil novos empregos somente na indústria". Em seguida, Trump afirmou que os Estados Unidos finalmente "viraram a página em décadas de negociações comerciais injustas que sacrificaram nossa prosperidade e enviaram nossas empresas, nossos empregos e a riqueza de nossa nação apra outros países".

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Pelo menos 12 parlamentares democratas boicotaram o pronunciamento, o maior número desde os anos 70, durante governo de Richard Nixon. Trump já havia feito apelos à unidade quando se dirigiu a uma sessão conjunta do Congresso no ano passado, mas a moderação do teleprompter se perdeu no mar de tuítes bombásticos postados nos meses seguintes.

Nesta quarta-feira, dia 31, Trump também se ateve ao script e pediu apoio dos democratas para aprovar um programa de US$ 1 trilhão de infraestrutura e uma reforma do sistema de imigração que regulariza a situação de 1,8 milhão de jovens levados ao país quando eram crianças, mas reduz de maneira drástica a entrada legal de imigrantes.

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“Eu estou pedindo a ambos os partidos que se unam e nos deem a infraestrutura segura, rápida, confiável e moderna que nossa economia precisa e nossa população merece”, afirmou Trump. “Estendo a mão para trabalhar com membros de ambos os partidos, democratas e republicanos, para proteger nossos cidadãos de todas as origens, cores e credos.”

O presidente celebrou os números positivos da economia e os atribuiu à desregulamentação promovida por seu governo e ao corte de US$ 1,5 trilhão em impostos aprovados pelos republicanos em dezembro. “Nunca houve um melhor momento para começar a viver o sonho americano”, declarou.

Os convidados refletiam as prioridades do governo e da oposição. Os democratas levaram para as galerias jovens beneficiados pelo Daca, o programa do governo Barack Obama que os protegeu da deportação. Trump anunciou o fim da iniciativa em setembro e deu prazo até março para o Congresso encontrar uma solução definitiva.

O presidente convidou pais de vítimas da gangue salvadorenha MS-13, veteranos de guerra, integrantes de equipes de primeiros socorros, um agente de imigração e beneficiários da reforma tributária.

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Rússia. Na noite anterior, o Executivo ignorou lei aprovada pelo Congresso de maneira quase unânime em julho e decidiu não aplicar sanções contra a Rússia em retaliação à intervenção do país na eleição de 2016. Horas antes de o Departamento de Estado anunciar que não considerava necessária a imposição de sanções agora, o diretor da CIA, Mike Pompeo, disse em entrevista à BBC esperar que a Rússia volte a interferir nas eleições de meio de mandato, em novembro.

A decisão foi considerada uma afronta por democratas e alguns republicanos. Os dois partidos já estavam em pé de guerra em razão da divulgação de um memorando secreto no qual a maioria governista ataca o FBI e garante que houve abusos da agência na investigação sobre a Rússia. A decisão final caberá a Trump, que já disse que pretende divulgar o documento, considerado parcial e politizado pela oposição.

Segundo o Washington Post, o Departamento de Justiça fez um apelo à Casa Branca para não divulgar o memorando, sob o argumento de que o texto compromete informações confidenciais e não reflete de maneira correta as práticas do FB

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