Patrick Semansky/AP
Patrick Semansky/AP

Em discurso sobre o Estado da União, Trump destaca ‘grande retorno’ dos EUA

Presidente exaltou avanço econômico e disse que em seu governo o país se tornou mais forte do que nunca

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 00h10
Atualizado 05 de fevereiro de 2020 | 00h58

O presidente americano, Donald Trump, declarou nesta terça-feira, 5, que os Estados Unidos estão “mais fortes do que nunca” em seu discurso sobre o Estado da União. Ele afirmou que obteve nesses três últimos anos o “grande retorno dos EUA”, assumindo o crédito pelo sucesso econômico do país de olho nas eleições de novembro, quando concorre à reeleição. 

“Em apenas três anos, esmagamos a mentalidade de um declínio americano e rejeitamos a redução do destino da América. Estamos seguindo para um caminho que era inimaginável pouco tempo atrás e nunca vamos recuar”, afirmou Trump, entre aplausos dos republicanos e os gritos de “mais quatro anos”.

“Se não tivéssemos revertido as políticas econômicas falidas do governo anterior, o mundo agora não estaria vendo este grande êxito econômico”, disse o presidente, criticando o governo de seu antecessor, Barack Obama, e provocando vaias de alguns democratas.

O discurso perante ambas as Câmaras do Congresso foi feito após Trump tornar-se o terceiro presidente na história dos EUA a enfrentar um processo de impeachment. Apesar de o julgamento político ainda não ter sido concluído no Senado, controlado por seu Partido Republicano, e apesar da divisão no país, o presidente destacou que os EUA estão melhores agora do que quatro anos atrás.

Ele usou a primeira parte de seu discurso para destacar o fortalecimento econômico dos EUA e a redução do desemprego. O crescimento econômico foi de 2,9% em 2019.

“Em oito anos do último governo, mais de 300 mil pessoas foram demitidas. Em apenas três anos do meu governo, 3,5 milhões de pessoas se juntaram à força de trabalho”, declarou o presidente. “Desde o instante que assumi o cargo, agi rapidamente para reviver a economia dos EUA – acabando com um número recorde de regulamentações que afetam os emprego, promulgando um histórico corte de taxas e lutando por acordos comerciais justos e recíprocos”, disse.

Em contraste com a importância que ele deu à economia, Trump passou quase por cima do comércio, um dos pilares de seu governo. "Prometi a nossos cidadãos que imporia tarifas à China para enfrentar o roubo maciço de empregos nos EUA. Nossa estratégia funcionou", proclamou. O presidente também falou sobre  a substituição do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA ) da era Bill Clinton pelo T-MEC renegociado.

"Muitos políticos vieram e saíram, prometendo mudar ou substituir o NAFTA, mas no final não fizeram absolutamente nada. Mas, ao contrário de muitos outros que vieram antes de mim, mantenho minhas promessas", disse ele. “Prometi que imporia taxas à China para confrontar o roubo do trabalho americano. Nossa estratégia funcionou”, disse. 

América Latina

Trump disse também que, no início do próximo ano, o muro da fronteira com o México terá mais de 800 quilômetros construídos.

"Já completamos mais de 165 quilômetros e haverá mais de 805 quilômetros no início do próximo ano", disse o presidente em seu principal projeto para combater a entrada de imigrantes em situação irregular na fronteira sul dos EUA. 

Trump também falou sobre a América do Sul. O presidente disse que a "tirania" do governo de Nicolás Maduro na Venezuela será "esmagada". Presente no Capitólio, o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó foi homenageado por Trump. 

Em seu discurso, Trump disse que "Maduro é um governante ilegítimo que brutaliza seu povo" e, em comunicado divulgado terça-feira, a Casa Branca enfatizou que o governo está pressionando sanções "devastadoras" contra Maduro.

Oriente Médio

Trump 'estendeu a mão' para o Irã e disse que a relação entre os dois países depende apenas de Teerã.

"Por causa de nossas poderosas sanções, a economia iraniana está indo muito mal. Podemos ajudá-los a se sair muito bem em um curto período de tempo, mas talvez eles sejam orgulhosos demais ou burros demais para pedir ajuda. Aqui estamos. Vamos ver como eles escolhem. Depende apenas deles", disse o presidente dos EUA.

Para que isso aconteça, Trump disse que o Irã "deve abandonar sua busca por armas nucleares, parar de expandir o terror, a morte e a destruição e começar a trabalhar para o bem de seu próprio povo".

Trump não perdeu a oportunidade de lembrar a operação que resultou na morte do general iraniano Qassim Suleimani, a quem ele definiu como "o maior terrorista do mundo", "um açougueiro cruel" e "um monstro que matou e feriu milhares de soldados dos EUA no Iraque".

Além de Soleimani, o presidente dos EUA também falou sobre a morte do líder do grupo terrorista do Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al Baghdadi. "Hoje, o califado territorial do Estado Islâmico foi 100% destruído e seu fundador e líder, o assassino sanguinário Al Bagdadi, está morto!"

O presidente, no entanto, disse que seu governo "está trabalhando para acabar com as guerras no Oriente Médio", como o Afeganistão.

"Não procuro matar centenas de milhares de afegãos, muitos deles inocentes. Também não é nossa função servir outras nações como uma agência de segurança ... Estamos trabalhando para acabar com a guerra mais longa dos EUA de uma vez por todas", disse.

Trump aproveitou a oportunidade para promover seu recém-anunciado plano de paz para Israel e Palestina: "Reconhecendo que todas as tentativas anteriores falharam, devemos ser determinados e criativos para estabilizar a região e trazer mudanças para milhões de jovens para alcançar um futuro melhor." / AFP, EFE, REUTERS e AP

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