REUTERS/Allison Shelley/File Photo
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Donald Trump fecha cerco a inquérito sobre ligação com russos

Republicanos e democratas no Congresso temem que indicação de Matthew Whitaker como secretário interino de Justiça seja uma forma de limitar ou encerrar a investigação sobre conluio entre sua campanha e agentes da Rússia

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2018 | 21h16

WASHINGTON - O secretário interino de Justiça dos EUA, Matt Whitaker, afirmou a assessores que não pretende se abster de chefiar a investigação sobre a interferência russa na eleição de 2016. A decisão desperta temores, entre democratas e alguns republicanos, de que o Departamento de Justiça interfira e abafe a apuração sobre o conluio entre a Rússia e a campanha de Donald Trump.

Segundo pessoas próximas, Whitaker teria deixado claro que não pretende aprovar qualquer intimação a Trump como parte da investigação que apura se pessoas ligadas à campanha conspiraram com a Rússia para interferir nas eleições e se o próprio presidente agiu para atrapalhar a investigação. Whitaker assumiu a função na quarta-feira, depois que Trump demitiu seu secretário de Justiça, Jeff Sessions, um dia após as eleições de meio de mandato.

Democratas e alguns republicanos exigiram que Whitaker se recusasse a supervisionar a investigação conduzida pelo procurador especial Robert Mueller. Sessions disse que estava impossibilitado de supervisionar o caso, porque manteve encontros com o embaixador russo nos EUA durante a campanha. Assim, a chefia do inquérito ficou com Rod Rosenstein, subsecretário de Justiça.

Whitaker descartou a ideia e assumiu a coordenação do caso. Republicano com duas décadas de serviços prestados ao partido, Whitaker compartilha da visão de Trump em diversos aspectos. Atacou o FBI por não investigar Hillary Clinton e tem sido um crítico feroz da investigação de Mueller, que ele já afirmou ser uma “máfia de linchadores” que faz uma “caça às bruxas”. 

Os críticos dizem que Whitaker poderia agir de diversas maneiras para sufocar a apuração. Ele poderia limitar a jurisdição e o orçamento do promotor especial, recusar pedidos de expansão do inquérito ou limitar intimações e indiciamentos. 

Apesar de Mueller atuar com independência, Whitaker pode pedir que ele explique qualquer passo da investigação. Além disso, quando Mueller completar seu trabalho e entregar um relatório sobre a apuração, ficará a cargo do secretário decidir se entrega o documento ao Congresso ou se o mantém em segredo.

Os democratas acusaram a manobra de ser uma forma de sufocar a investigação. “A demissão é outra tentativa flagrante de Trump de acabar com a investigação sobre a Rússia”, disse Nancy Pelosi, líder democrata na Câmara. Adam Schiff, deputado democrata da Califórnia, disse que a “interferência causaria uma crise constitucional e enfraqueceria o estado de direito”, caso se confirmasse. 

Republicanos do Senado também criticaram a decisão. “É imperativo que o governo não impeça a investigação de Mueller. Ele deve ter permissão para concluir seu trabalho sem interferência”, afirmou a senadora republicana Susan Collins. Mitt Romney, que foi eleito senador na terça-feira, também reagiu. “Não pode haver interferência na investigação”, escreveu Romney no Twitter.

Trump disse que planeja nomear um novo secretário de Justiça, mas não deu um prazo. Chris Christie, ex-governador de New Jersey, um dos preferidos de Trump para o cargo antes da indicação de Sessions, é o favorito. Mas o processo pode demorar meses. / NYT e W.POST

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