AFP PHOTO / MANDEL NGAN
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Donald Trump tenta despistar possível ataque aéreo contra Síria

Governo americano ainda não comprovou o uso de gás tóxico contra civis; secretário de Defesa afirma que EUA e aliados estudam a situação

O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 10h46

WASHINGTON - O presidente Donald Trump amenizou o tom de resposta à síria e tentou despistar comunidade internacional sobre uma possível retaliação nesta quinta-feira, 12, pelo Twitter. Ele declarou que um ataque à Síria poderia ocorrer "muito em breve ou não tão cedo". Na quarta-feira, Trump alertou a Rússia para "se preparar" contra mísseis e sugeriu que haveria uma resposta rápida ao suposto ataque químico do último sábado. Hoje, no entanto, ele mudou o discurso. "Nunca disse quando um ataque à Síria aconteceria", twittou.

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O secretário de Defesa americano, Jim Mattis, indicou que a evidência do ataque químico ainda é estudada. Durante sessão de fotos no Pentágono, Mattis foi questionado se existem provas suficientes para culpar o governo sírio. "Ainda estamos avaliando a inteligência, nós mesmos e nossos aliados. Ainda estamos trabalhando nisso", respondeu.

Trump sugeriu, na segunda-feira, que tinha poucas dúvidas da culpa do governo Assad pelo ataque, mas nem ele ou outros funcionários do governo apresentaram evidências concretas sobre o caso. A situação contrasta com o ataque químico que aconteceu ano passado, quando o governo americano tinha vídeos e fotos do ato realizado pela força aérea síria, que envolveu o uso de gás sarin. À época, Trump respondeu com o envio de dezenas de mísseis de cruzeiro a uma base aérea síria.

Mattis também foi perguntado se os militares americanos estão prontos para realizar um ataque na síria, caso recebam tal ordem. "Estamos prontos para fornecer opções militares, caso elas sejam apropriadas, caso o presidente determine", afirmou. O ex-secretário de Defesa para o governo Bill Clinton, William Cohen, foi questionado sobre o possível ataque à síria pela CNN e respondeu que o ato é capaz de "comprometer um pouco a missão".

Ação conjunta.

EUA, França e Grã-Bretanha têm tido consultas extensas sobre a possibilidade de lançar um ataque militar até o final desta semana, de acordo com funcionários americanos. Uma operação militar conjunta, possivelmente com França na liderança, poderia enviar uma mensagem internacional de unidade sobre reforçar as proibições a armas químicas e se opor ao apoio político e militar dado à Síria por Irã e Rússia.

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O presidente da França Emmanuel Macron pediu, na terça-feira, um a "resposta conjunta e forte" ao ataque na cidade de Duma. O governo sírio nega que tenha responsabilidade sobre o ato. O presidente francês não precisa de permissão parlamentar para lançar uma operação militar. A França já está envolvida na coalizão liderada pelos EUA em 2014 para lutar contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Publicidade.

Trump declarou diversas vezes que um chefe de Estado não deve telegrafar suas intenções militares, acabou fazendo isso ontem, ao postar que mísseis "vão chegar" ao território sírio. "A Rússia promete abater todos e quaisquer mísseis disparados contra a Síria. Se prepare, Rússia, porque eles virão, bacanas, novos e inteligentes! Vocês não deviam ser parceiros de um animal que mata seu povo com gás e que gosta dissso!", alertou o presidente americano. No passado, Trumo condenou outros por comentarem planos militares, repetidamente criticando o ex-presidente Barack Obama durante a campanha de 2016. Durante um discurso, ele disse "Devemos, como nação, ser mais imprevisíveis. Nós somos totalmente previsíveis. Nós contamos tudo!".

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Um ataque à Síria teria potencial para gerar novos confrontos entre Rússia e Estados Unidos, antigos inimigos da Guerra Fria, cujas relações se deterioraram nos últimos anos devido à intervenção na Ucrânia, na eleição presidencial americana de 2016 e, mais recentemente, pelo apoio do Putin ao presidente Bashar al-Assad. Legisladores russos alertaram que Moscou veria um ataque aéreo na Síria como um crime de guerra que poderia desencadear um conflito militar entre EUA e Rússia. O embaixador da Rússia no Líbano afirmou que qualquer míssil lançado na Síria seria abatido e seu local de lançamento se tornaria alvo.

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Trump não detalhou como seria um ataque à Síria, ou mesmo se os mísseis aos quais se referiu seriam americanos. Funcionários do governo têm consultado França, Grã-Bretanha e outros aliados sobre uma possível operação militar conjunta, mas a dúvida permanece. Na quarta-feira, Trump cancelou sua viagem à Cúpula das Américas, justificando que precisa gerenciar a crise que está testando sua promessa de apoiar Assad.

Tensão.

Pouco depois de twittar ameaçando a Síria, Trump postou novamente, em tom mais concilatório, lamentando que as relações EUA-Rússia estejam "piores do que jamais estiveram". Ele afirmou que não há razão para isso, que a Rússia precisa de ajuda na economia, algo que seria muito fácil de fazer e que todas as nações precisam trabalhar juntas. O Ministério de Relações Exteriores da Síria declarou que as ameaças de Trump são "imprudentes" e que colocam em perigo a segurança e a paz internacionais.

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O governo americano tem buscado demonstrar firmeza contra a Rússia através de uma série de ações econômicas e diplomáticas, incluindo sanções contra funcionários do governo e oligarcas. Trump evitou criticar diretamente o presidente russo Vladimir Putin, embora o tenha mencionado por nome em um tweet por ser apoiador de Bashar al-Assad.  // AP

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