Dono de TV de oposição denuncia pressão na Venezuela

O proprietário do canal privado de notícias Globovisión denunciou as pressões do governo do presidente Hugo Chávez para reprimir a única emissora aberta de oposição na Venezuela. "Estou muito tranquilo, ali não há nada para esconder", afirmou o presidente do canal, Guillermo Zuloaga, referindo-se à incursão de policiais e militares, entre outros funcionários do governo Chávez, em uma de suas propriedades em Caracas.

AE-AP, Agencia Estado

22 de maio de 2009 | 09h13

O diretor da polícia judicial, Wilmer Flores Trossel, afirmou à imprensa que a busca ocorreu pois foi detectado um "lote importante de veículos que se encontram ocultos". Flores Trossel acrescentou que a informação veio de uma denúncia anônima e a operação seria parte de uma campanha das autoridades contra a apropriação indébita. O chefe policial indicou que, na propriedade do empresário foram encontrados 24 veículos. "Esses veículos têm números de chassis que tornam necessário identificá-los, para estabelecer a legalidade dos mesmos, seu estado, sua documentação", apontou Flores Trossel.

"Os proprietários da residência terão que explicar o que fazem esses veículos aqui e por quê não estão em uma concessionária (para venda)", disse. Zuloaga afirmou que a casa, no leste da capital, é a sede de seu escritório privado e serve de depósito "por razões de segurança" para uma distribuidora de veículos, de propriedade dele mesmo, localizada na vizinha cidade de Valencia, "onde já nos roubaram".

"Eu não sei se estão tratando de encontrar algo para calar-me. Não vão nos calar", enfatizou, em declarações à Globovisión. O sinal aberto da emissora cobre Caracas e a cidade de Valencia. No resto do país, só é possível assistir o canal via cabo, disponível para apensa 20% dos venezuelanos. A operação policial ocorre no momento em que os reguladores do setor de telecomunicações investigam o canal noticioso, sob acusação de incitar "o pânico e a ansiedade" após um forte tremor de terra. A emissora criticou o governo por sua lenta resposta ao problema.

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