Carlos García Rowlins / Reuters
Carlos García Rowlins / Reuters

Dono do jornal venezuelano 'El Nacional' cobra posição firme do Brasil

Henrique otero disse a comissão do Senado que o País tem de ajudar a impedir um quadro de violência na Venezuela

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 01h00

Dono do tradicional jornal venezuelano El Nacional, Miguel Henrique Otero participou ontem de uma audiência na Comissão de Assuntos Exteriores do Senado brasileiro e acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de sufocar a liberdade de expressão no país vizinho.

Em março, ele estava nos Estados Unidos quando soube que estava sendo processado pelo presidente do Parlamento, Diosdado Cabello. Desde então, não voltou mais à Venezuela por medo de ser preso.

“Tem de haver condições políticas para que eu regresse e não seja preso. Eles arranjam medidas cautelares e te mantêm preso. É a maneira moderna de substituir as arbitrariedades da ditadura tradicional”, disse Otero ao Estado.

Cabello acusa Otero e outros jornalistas de difamação por terem repercutido uma reportagem do jornal espanhol ABC, de 27 de janeiro, que o ligava ao narcotráfico.

Na ocasião, Cabello disse que pretendia processar o ABC e o jornal americano The Wall Street Journal por difamação por acusá-lo de comandar o chamado Cartel de los Soles.

Após a sessão, Otero agradeceu a solidariedade dos senadores da oposição e cobrou do governo brasileiro uma posição mais firme em relação à crise política da Venezuela. 

“Todos os senadores da oposição estão muito solidários. A questão é que é preciso que o governo da presidente Dilma Rousseff tome consciência. O Brasil tem de ajudar a impedir que se estabeleça um quadro terrível de violência na Venezuela”, afirmou Otero.

Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o Brasil precisa sair da “inércia” e começar a se preocupar com o que acontece no país vizinho. “Não podemos ficar de braços cruzados diante desse drama. Nossa luta é para que o governo brasileiro saia da inércia”, disse. O tucano e outros senadores estiveram em Caracas em junho como um gesto em favor dos chamados presos políticos.

Durante a audiência, os parlamentares também manifestaram preocupação em relação às eleições parlamentares marcadas para 6 de dezembro na Venezuela. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) sugeriu que a comissão faça um pedido formal à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que envie observadores para acompanhar o processo.

No entanto, no mês passado, o presidente venezuelano declarou que não quer a presença de observadores da OEA na Venezuela, rejeitando a oferta do secretário-geral da entidade, Luis Almagro. “A Venezuela não é monitorada nem será monitorada por ninguém”, disse Maduro na sede da ONU, em Nova York.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.