Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Furacão Dorian deixa ao menos 43 mortos e rastro de destruição nas Bahamas

Fenômeno chegou à região na categoria 5, a mais alta possível na escala que mede a velocidade do vento

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 01h11

CHARLESTON, EUA - O furacão Dorian matou ao menos 43 pessoas nas Bahamas, onde deixou um rastro de devastação e milhares de desabrigados a procura de água e alimentos, informaram as autoridades locais nesta sexta-feira, 6.

Funcionários de funerárias e de necrotérios foram enviados para a região para ajudar as autoridades, informou o ministro da Saúde, Duane Sands, à mídia local. Sobre o número de mortos total, declarou: "Deixe-me dizer que acho que o número será chocante".

Uma equipe da AFP que sobrevoou a cidade de Marsh Harbour, na ilha de Great Abaco, na quinta-feira, 5, viu cenas de danos catastróficos, centenas de casas destruídas, carros derrubados, campos inteiros de escombros e inundações generalizadas.

Dorian foi um furacão de categoria 5, o máximo possível na escala que mede a velocidade do vento, quando atingiu as Bahamas no último domingo, 1º, deixando um rastro de imensa destruição. Milhares ficaram desabrigados, e as Nações Unidas disseram que 70 mil pessoas precisam de ajuda imediata.

O Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês), com sede em Miami, rebaixou Dorian para a categoria 1 nesta sexta-feira, quando chegou a Outer Banks, uma cadeia de ilhas na costa da Carolina do Norte. Segundo o NHC, Dorian tocou a terra no Cabo Hatteras, nos Outer Banks.

Milhares de residentes dos Estados Unidos, da Flórida à Virgínia, temiam o pior com a passagem de Dorian, mas a costa escapou ilesa em grande medida. Às 21h GMT, Dorian se deslocava em direção à costa atlântica a 39 km/h, e pode atingir com fortes ventos o Canadá.

Dorian deve se mover ao sul da Nova Inglaterra na madrugada e pela manhã deste sábado, 7, atravessando em seguida a Nova Escócia.

“Inferno por todo o lado"

O lento e monstruoso furacão também castigou a costa da Carolina do Sul e inundou a histórica cidade de Charleston, mas não há informes de vítimas.  Muitos moradores das zonas costeiras das Carolinas do Norte e do Sul acataram as ordens de evacuação, enquanto outros protegeram suas casas com tábuas.

No Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que conversou com os governadores das Carolinas do Norte e do Sul, garantindo-lhes que está "pronto para ajudar".

A extensão dos danos no norte das Bahamas começou a ser conhecida na quinta, à medida que as equipes de socorro conseguiam percorrer a área para resgatar sobreviventes e levar ajuda às vítimas.

"É um inferno por toda a parte", desabafou Brian Harvey, um canadense de Montreal, em entrevista à AFP em Gran Ábaco. "Estava no meu veleiro (...) Perdi tudo", completou. 

Steven Turnquest, que chegou à capital das Bahamas, Nassau, de Marsh Harbour, com seus filhos de quatro e sete anos, disse estar grato por estar vivo. "Sobrevivi ao furacão agarrado a uma porta", contou.

Em meio ao temor de que criminosos se aproveitem do caos na zona devastada, o primeiro-ministro Minnis advertiu que qualquer saqueador será castigado "com todo o peso da lei" e afirmou que foram enviados agentes extras das forças de segurança.

Helicópteros americanos e britânicos fizeram evacuações médicas, avaliações aéreas para ajudar a coordenar os esforços de socorro e voos de reconhecimento para conhecer os danos.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos resgatou 201 pessoas nas Bahamas até a quinta-feira. O Programa Mundial de Alimentos da ONU anunciou que há oito toneladas de comida prontas para serem enviadas para as Bahamas. AFP

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