Felipe Corazza / Estadão
Felipe Corazza / Estadão

Dormir, só quando Francisco for embora

Fiel enfrenta maratona para ajudar a preparar homenagem ao pontífice

Felipe Corazza, ENVIADO ESPECIAL, HAVANA, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 02h00

Sentada a uma pequena mesa no corredor direito da Igreja de Santa Rita de Cássia, no bairro Miramar, Idolka maneja a tesoura para cortar rolos de adesivos. Cada conjunto encomendado especialmente para a visita do papa a Cuba tem mil adereços.

Sem parar de cortar, ela conta à reportagem que já não se lembra de quantos rolos “processou” para transformá-los nas mensagens individuais que milhares de cubanos exibirão para Francisco.

“Vamos com uma mensagem de entusiasmo. Essa visita é muito especial para nós”, afirma Idolka. Emocionada, ela começa a relatar a maratona que, com alegria, enfrentará para que tudo saia bem na passagem do pontífice pela cidade. 

Ontem, continuaria na paróquia preparando os adesivos e outros detalhes. Na manhã de hoje, despertaria às 4 horas. “Assim como fiz hoje. Mas, hoje, minha irmã precisou me acordar.”

Após as missas da manhã, há uma terceira celebração e, às 14 horas, os fiéis começam a se concentrar para ir à rua homenagear o pontífice em seu caminho pelas avenidas entre o aeroporto e a Nunciatura Apostólica, onde ficará hospedado. Depois, todos se organizam novamente e partem em caravana para a Praça da Revolução. “Estaremos lá às 22 horas, pontualmente”, afirma a devota de Santa Rita. “Dormir, só quando o papa for embora.”

Serão realizadas duas missas na Igreja de Santa Rita amanhã, dia da chegada do papa: às 8 horas, em espanhol. Às 9 horas, em inglês. “Pois nosso padre conhece muitas pessoas e elas pediram que também fizesse uma missa para os que falam inglês. Ele aceitou”, explica Idolka. 

Voltando à importância da visita de Francisco, ela faz questão de lembrar que o caminho para normalização das relações entre o Estado cubano e a Igreja começou a se pavimentar com a visita de João Paulo II à ilha, em 1998.

Apesar de representantes das Damas de Branco, grupo de mulheres da dissidência cubana, frequentarem a igreja, Idolka não gosta de falar sobre o assunto. “Podem vir, como todos, mas religião e política não se misturam. Podem defender suas causas, mas não podemos misturar as coisas.”

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