REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Dos 93 detidos com paradeiro confirmado na Venezuela, 9 têm condenação

Condição de algumas das penitenciárias é motivo de preocupação para organização que monitora as detenções

Felipe Corazza, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2017 | 05h00

A falta de condenação e as péssimas condições dos cárceres caracterizam a situação da maior parte dos presos políticos venezuelanos. Entre aqueles que têm paradeiro confirmado, apenas nove foram julgados e condenados. Outros 84 estão nas celas aguardando o desenrolar de processos iniciados, na maioria dos casos, por motivos como “distúrbios” ou “financiamento de atividades de desestabilização” do governo.

Outra preocupação é a situação precária dos locais de encarceramento. Presos comuns e acusados de atividades subversivas são obrigados a conviver com falta de água, de alimentos, más condições de higiene e superlotação em cadeias como El Rodeo II ou Tocuyito, algumas das piores na Venezuela, segundo avaliação do Observatório Venezuelano de Prisões.

Um dos detidos em Tocuyito, Vasco Manuel da Costa, foi acusado, em 2014, de colaborar com forças militares colombianas para desestabilizar o governo. Desde então, passou pela sede da polícia científica em Caracas, por El Rodeo II, penitenciária 26 de Julho até, finalmente, ser transferido para o presídio onde está. “Os presos políticos ficam excluídos, colocados em lugares diferentes dos presos comuns, mas com restrições maiores em relação a visitas, saídas, acesso a diversas coisas”, afirma Alfredo Romero, coordenador da ONG Foro Penal Venezolano. 

Vasco da Costa, segundo a organização, perdeu 35 quilos desde sua detenção em 2014 e foi ferido durante uma rebelião em dezembro de 2015, mas não recebeu atendimento médico adequado. Em março, a irmã do ativista, Ana Maria da Costa, afirmou que ele vive sob “condições de insalubridade extremas” e foi obrigado a presenciar torturas. “Estão confinados e, como dizem que são perigosos, não os deixam ir ao pátio com os outros presos. Não permitem que visitemos”, afirmou Ana. O governo venezuelano nega. 

 

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