Dossiê de Blair sobre Iraque ganha pouco apoio fora dos EUA

A afirmação do premier britânico, Tony Blair, sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque parece ter conquistado pouco apoio fora dos Estados Unidos. A França e a China expressaram ceticismo. Por várias semanas, rumores generalizados sobre uma possível guerra liderada pelos EUA contra o Iraque criaram um grande interesse sobre o prometido dossiê de Blair sobre o arsenal de armas químicas e biológicas do presidente Saddam Hussein.A Grã-Bretanha e os EUA são dois dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com poder de veto, e estão tentando convencer os outros três membros - China, França e Rússia - a apoiar uma nova resolução ameaçando o uso da força caso o Iraque resista às inspeções. Mas os líderes da França e da China, participando de uma cúpula asiático-européia na Dinamarca, não pareceram ter sido convencidos pelo dossiê e pelo discurso de Blair.O presidente da França, Jacques Chirac, disse que a guerra contra o Iraque ainda pode ser evitada se for dado ao Conselho de Segurança o papel principal na crise. Chirac reiterou que não existe necessidade de uma nova resolução do CS ameaçando com uma guerra contra Saddam se ele não aceitar a volta das inspeções. "Essa não é a visão da França", afirmou Chirac, acrescentando que apenas os inspetores podem oferecer a prova necessária sobre as armas de Saddam. "Não penso de forma alguma que a guerra seja inevitável".O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, advertiu que qualquer ataque contra o Iraque sem o apoio da ONU "levará a sérias conseqüências". Pedindo por um mandato da ONU na crise, ele acrescentou: "Pedimos ao Iraque para cumprir as resoluções da ONU sem condições prévias". Recentemente, havia confusão sobre a posição da Rússia sobre a necessidade de uma nova resolução da ONU para o Iraque, e a confusão persistiu hoje. O Ministério do Exterior russo anunciou que o embaixador britânico Roderic Lyne reuniu-se com o vice-chanceler Alexander Saltanovim em Moscou a fim de discutir o Iraque e a situação nos territórios palestinos.Durante a discussão, Lyne disse que Blair estava apresentando o dossiê sobre o Iraque ao Parlamento britânico e que ele seria entregue a outros países. Mas o Ministério do Exterior russo afirmou não ter recebido uma cópia do documento durante a reunião e não fez comentários sobre o discurso de Blair.Enquanto autoridades iraquianas rechaçavam o dossiê, classificando-o de "um monte de mentiras" e uma desculpa para um ataque anglo-americano contra Bagdá, a Casa Branca afirmava que as informações eram "apavorantes" e elogiava o premiê britânico pela defesa dos esforços dos EUA contra Saddam. "A janela de 45 minutos na qual o Iraque estará pronto para usar armas biológicas e químicas é mais um sinal da preocupação que temos sobre o Iraque e suas intenções militaristas", disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, referindo-se a um dos pontos do dossiê.Fleischer desconsiderou sugestões de que Blair está mais concentrado no desarmamento de Saddam enquanto Bush é mais decidido na questão da derrubada do líder iraquiano. "Não acredito que haja qualquer diferença entre nós", disse.No Canadá, o ministro de Assuntos Exteriores, Bill Graham, disse que as informações oferecidas por Blair deveriam ser levadas a sério. "Elas demonstram porque sempre temos dito que os inspetores da ONU devem entrar no Iraque e rapidamente", afirmou. "Não vi isso como uma sugestão de que o senhor Blair está defendendo que ataquemos o Iraque imediatamente".

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