Dossiê de Blair sobre o Iraque é enganoso, diz ex-perito

O debate sobre a ida da Grã-Bretanha à guerra no Iraque esquentou com novas acusações contra o primeiro-ministro Tony Blair sobre o uso que seu governo fez das informações no caso das supostas armas iraquianas. Em artigo publicado pelo diário The Independent, o perito em armas de destruição em massa Brian Jones afirmou que o governo de Blair exagerou os dados dos serviços de inteligência britânicos e apresentou, num dossiê em 2002, uma versão que fez a opinião pública pensar quer era necessário invadir o Iraque.Jones chefiou a seção de armas químicas, biológicas e nucleares da equipe de inteligência (DIS) do Ministério da Defesa, onde era um dos principais peritos até se aposentar no ano passado. No artigo, ele afirmou que os especialistas do ministério não viram seu ponto de vista refletido no dossiê. "Na minha opinião, os peritos em inteligência do DIS foram sobrepujados na preparação do dossiê em setembro de 2002, o que resultou numa apresentação enganosa sobre as capacidades do Iraque", assinalou Jones.O cientista exortou o primeiro-ministro a publicar dados de inteligência que sustentem a alegação do governo de que o Iraque estava produzindo ativamente armas químicas e poderia lançar um ataque 45 minutos depois que a ordem fosse dada. A ênfase dada por Blair ao prazo de 45 minutos para o lançamento dessas armas foi um dos cernes de sua argumentação sobre o perigo representado por Saddam Hussein.

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