Doutrina Obama é de 'extração e destruição'

Na guerra ao terrorismo, o presidente americano prefere ter resultados garantidos pelo uso da tecnologia e da força

ROBERTO GODOY, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h04

A operação de cerco e busca realizada em Boston, West e em determinados pontos da região metropolitana tem outro nome no jargão militar - extração e destruição. E esse talvez seja o tom da Doutrina Obama na guerra ao terror. Nesse tipo de ação, o alvo é um líder inimigo que, a princípio, deve ser capturado e, depois de ouvido, "neutralizado". O eufemismo serve para o envio à prisão ou para a eliminação.

O uso intenso de drones, aeronaves de pilotagem remota, na missão de ataque contra comandantes de movimentos extremistas, e o caráter da caça ao inspirador da Al-Qaeda, Osama bin Laden, seguida por operações sigilosas das forças especiais americanas, indicam claramente o caminho da ação repressora.

Ontem, em quase toda a cidade de Boston e em West, a máquina de combate dos EUA estava nas ruas. Não eram só policiais. Havia tropas e times especiais antiterror, identificados pelas suas insígnias. As equipes de inteligência mobilizaram centrais móveis de sensoriamento de comunicações, escuta e decodificação de sinais. Por enlace com satélites, o sistema "ouve" tudo o que for necessário - mesmo em ambientes fechados: basta que haja no local um telefone, eventualmente desligado, ou um mero interfone. Ao menos 35 câmeras digitais de identificação de imagens foram instaladas nas duas cidades.

Pela manhã, o governador Deval Patrick anunciou que "o grosso do pessoal envolvido na operação é das policias local e estadual de Massachusetts", uma tentativa de relativizar a presença federal. Um grupo de 30 agentes especializados em iniciativas táticas do FBI vasculhava todas as ruas, inspecionava prédios e edifícios. Pessoas que contrariavam as orientações de permanecer dentro de suas casas e de abrir a porta apenas para agentes do governo, eram abordadas e advertidas.

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