Doze mortos em protestos na Venezuela; TVs são fechadas

Uma gigantesca marcha pela renúncia do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, terminou nesta quinta-feira em Caracas com pelo menos doze mortos e 88 feridos. A violência entre a polícia e os manifestantes começou depois que Chávez anunciou o fechamento de cinco estações privadas de tevê, alegando que elas haviam abusado da liberdade de expressão e incitado os protestos da oposição.Mas as tevês, via satélite, transmitiram uma mensagem dizendo: "Neste momento, a Venevisión, a Rádio Caracas e Televisão (RCTV), a Televen e a CMT (Canal Máximo de Televisão) foram forçadas a sair do ar pelo governo nacional."As transmissões dos canais já tinham sido interrompidas várias vezes na terça-feira por mensagens contra a greve que havia sido iniciada naquele dia por sindicatos e empresários.A Guarda Nacional lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes para mantê-los longe do palácio presidencial e de milhares de partidários de Chávez.Durante a confusão, vários disparos foram feitos perto do palácio e diversos choques com a polícia ocorreram em distintas partes do centro da cidade. Algumas pessoas dispararam do alto de telhados contra a multidão.No início do confronto, o hospital Vargas, em Caracas, havia informado sobre um morto e 16 feridos, mas logo depois as tevês locais informaram que os números haviam aumentado drasticamente. Essas informações não puderam ser imediatamente confirmadas.Entre os mortos está o fotógrafo José Tortoza, do Diario 2001, que levou um tiro na cabeça durante um enfrentamento confuso entre membros da Guarda Nacional e da Polícia Metropolitana.Chávez disse nesta quinta-feira que ordenou que o palácio presidencial de Miraflores fosse cercado pelos militares para proteger seus simpatizantes da marcha opositora que tentava tirá-lo do poder."Essa gente não vem trazer nenhum documento, pensam que vão chegar aqui e tirar Chávez e pensam que as Forças Armadas vão apoiar uma insurreição (...) Essa marcha não pode chegar aqui", havia dito Chávez em uma mensagem à nação. O presidente disse que a marcha, com mais de 150.000 pessoas, tinha uma "atitude provocadora".A violência irrompeu no terceiro dia de greve geral convocada em apoio a executivos da estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA). Eles querem que Chávez demita a atual direção da companhia, que foi indicada há dois meses por interesses políticos.Os executivos estão conduzindo uma "operação tartaruga" que tem prejudicado seriamente a produção e a exportação de petróleo na Venezuela, o quarto exportador mundial e o terceiro maior fornecedor dos Estados Unidos.As greves perturbaram os lucrativos embarques de petróleo. Algumas fontes do mercado estimam que a paralisação parcial de atividades, que já dura sete dias, reduziu entre um terço e metade as exportações diárias de petróleo da Venezuela.A PdVSA é a coluna vertebral da economia nacional, já que é responsável pela metade dos fundos dos cofres do governo. Portanto, uma suspensão das exportações de algumas semanas poderá prejudicar seriamente as finanças da nação."Depois de algumas semanas sem ingressos, o governo ficará desesperado por um financiamento. Ele não poderá buscar financiamentos internamente e nem no exterior", disse o chefe de estratégia da dívida latino-americana da Commerzbank Securities, Christian Stracke. "Não terá mais opções que uma drástica paralisação do governo ou a suspensão dos pagamentos da dívida", disse Stracke.Pelo fato de a Venezuela contar com cerca de 15 milhões de barris de petróleo de reserva, os economistas de Wall Street dizem que Chávez e os trabalhadores em greve ainda têm umas duas semanas para alcançar um acordo antes que as interrupções comecem a afetar a economia do país. A Venezuela exporta mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia.Para muitos observadores, como nem os trabalhadores nem Chávez querem ser responsáveis pela destruição da economia da Venezuela, os dois lados deverão superar a crise a tempo.Mas se não se chegar a um acordo a tempo, a opção para Chávez - que enfrenta a oposição de alguns de seus próprios generais, da população e dos trabalhadores petroleiros - poderia ser a de declarar o estado de emergência para garantir a provisão de petróleo.

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