Roberto Monaldo/EFE/EPA
Roberto Monaldo/EFE/EPA

Draghi obtém confiança de deputados italianos, último passo para sua posse

Empossado na semana passada, ex-presidente do Banco Central Europeu pode agora exercer plenamente o cargo de premiê

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2021 | 20h52

ROMA - O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, conquistou facilmente um voto de confiança da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira, 18, etapa final necessária para que seu novo governo exerça todos os seus poderes.

A Câmara dos Deputados aprovou a moção de confiança por 535 votos a 56. O único partido importante a se opor ao ex-presidente do Banco Central Europeu foi o Irmãos da Itália, de extrema direita. Draghi já havia conquistado o Senado na quarta-feira, 17.

Draghi recebeu a missão de formar governo na semana passada após uma crise política prolongada que incluiu a saída à força de seu antecessor, Giuseppe Conte, após uma ruptura da coalizão que governava o país.  A decisão de apoiar Draghi dilacerou o Movimento 5 Estrelas, o maior partido no Parlamento, que foi formado em 2009 como um grupo de protesto anti-establishment.

O grupo se juntou ao governo multipartidário de Draghi, mas muitos de seus eleitores e políticos ainda hesitam com a ideia de apoiar um ex-chefe do BCE.

Na quarta-feira, Draghi fez no Senado seu discurso inaugural como primeiro-ministro, definindo suas prioridades políticas, entre elas o combate ao coronavírus e às crises econômicas.

O premiê apontou a corrupção como um flagelo que castiga o tecido econômico e disse que lutar contra ela será um de seus compromissos.

“Um país capaz de atrair investidores, incluindo internacionais, deve se defender da corrupção. Ela representa um perigo de ingerência criminosa, também de máfias, e um desestímulo ao tecido econômico pelos efeitos depressivos sobre a competitividade e a livre concorrência”, afirmou.

Draghi prometeu apoio às pequenas e médias empresas no processo de recuperação após a crise do coronavírus e sublinhou que será fundamental promover a "internacionalização" desses empreendimentos, para reforçar a competitividade no mercado global.

Considerado o homem providencial para reativar a terceira economia da zona do euro, Draghi prometeu antes de tudo "lutar contra a pandemia com todos os meios para salvar as vidas dos nossos concidadãos". 

A Itália se aproxima da marca dos 100 mil mortos pela covid-19 e a campanha de vacinação desacelerou por problemas de abastecimento. O novo primeiro-ministro italiano garantiu uma campanha de imunização eficiente "após ter obtido quantidades suficientes de vacinas para distribuí-las de forma rápida e eficaz". 

‘Como os governos do pós-guerra’

"Assim como os governos imediatamente após a guerra, temos a responsabilidade de lançar uma nova reconstrução", declarou Draghi. "Nossa missão como italianos é deixar um país melhor e mais justo para nossos filhos e netos", acrescentou. 

O premiê defendeu uma "União Europeia mais integrada com um orçamento público comum, capaz de apoiar os Estados-membros durante os períodos de recessão" e confirmou o euro como a única moeda possível. 

"Sem a Itália, não há Europa", disse Draghi, em clara advertência ao partido de ultradireita e anti-europeu de Matteo Salvini, que apoia seu governo, mas não perde a oportunidade de gerar controvérsias. 

Para alcançar a reconstrução mais ambiciosa da Itália, comparável à dos anos imediatamente após a 2ª Guerra, a Itália precisa superar uma recessão histórica com queda do PIB de 8,9% em 2020, graças ao fundo extraordinário outorgado pela União Europeia de € 200 bilhões (R$ 1,3 trilhão). 

Draghi esboçou também uma série de reformas indispensáveis entre os maiores desafios da sua gestão. Entre elas a da administração pública, do sistema fiscal, educacional, judicial e do turismo. "Alguns acreditam que sair da pandemia será como voltar a acender a luz. Mas não será assim", advertiu. /REUTERS, AFP e EFE

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