Droga sintética ameaça cartéis colombianos

As drogas sintéticas, chamadas drogas do futuro, fáceis de fabricar, de transportar e de vender, deverão desbancar em pouco tempo os cartéis colombianos e bolivianos do narcotráfico que produzem todos os anos toneladas de drogas naturais - cocaína e heroína - consumidas em sua maior parte pelos países ricos. Um estudo dos setores de combate ao narcotráfico dos EUA revelou que em 2000 o consumo de cocaína nas principais cidades daquele país caiu 50%. Os usuários migraram para as drogas psicoativas sintéticas, as metanfetaminas, produzidas em laboratórios. Consideradas mais potentes que a cocaína, as novas drogas começaram a circular em discotecas, danceterias e festas de jovens. "É um caminho sem volta para a cocaína", afirma o ex-responsável pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Brasil, Walter Fanganiello Maierovitch. No mercado das drogas sintéticas, feitas em laboratórios clandestinos, de "fundo-de-quintal", é também produzida a chamada droga exótica, conhecida por droga étnica. "A produção é dos guetos asiáticos de Nova York", diz Maierovitch. Levantamento da Divisão Antidrogas da polícia francesa concluiu que, em comparação com a cocaína e a heroína, as drogas sintéticas oferecem maiores vantagens aos traficantes. Dados da polícia britânica indicam que 87% do ecstasy consumido na Inglaterra é fabricado na Holanda e parte da produção é transferida para o Leste Europeu. "A Holanda é chamada de a ´Colômbia do ecstasy´". Um levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1999 já fazia previsões sobre as drogas sintéticas. "Uma das constatações que surpreenderam os autores do estudo foi a popularidade dos estimulantes à base de anfetaminas. Cerca de 30 milhões de pessoas tornaram-se consumidores regulares dessas drogas. O mercado de substâncias químicas cresceu 30 vezes nos últimos quatro anos." A heroína consumida nos Estados Unidos e na Europa vem sendo substituída cada vez mais pelas drogas sintéticas. Os cartéis colombianos são os principais produtores de cocaína do mundo e estão em terceiro lugar na produção de heroína. "A preocupação de muitos países é que, com a diminuição dos mercados norte-americano e europeu, os cartéis serão obrigados a reduzir o preço da cocaína e da heroína e vão passar a abastecer os países do Terceiro Mundo, como o Brasil, onde a heroína ainda não chegou", afirma Maierovitch. Segundo ele, os EUA estão mudando a política de combate às drogas. A prioridade até o governo Clinton era atacar os centros de cultivo e produção. "A nova política de George W. Bush está voltada para a redução interna de uso de drogas sintéticas, pois hoje os norte-americanos são os maiores consumidores deste tipo de droga produzida no próprio país." O ex-secretário da Senad relata que, para os norte-americanos, os colombianos da droga, seus eternos inimigos, estão com os dias contados. "Será só uma questão de tempo. Vai sobrar cocaína para o Brasil e, infelizmente, também a heroína colombiana", prevê Maierovitch.

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