Drogas ameaçam segurança em regiões da América Latina

Regiões da Colômbia e de outros países estão 'fora de controle do governo central', diz ONU

JULIO VILLAVERDE, REUTERS

26 de junho de 2008 | 14h34

O problema mundial das drogas tem uma perspectiva favorável a longo prazo, mas na América Latina o narcotráfico ameaça a segurança nacional em alguns países, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 26, pela Organização das Nações Unidas (ONU). O Relatório Mundial de Drogas 2008 indicou que o uso mundial de drogas ilícitas esteve abaixo de 5 por cento dos adultos em 2007, mas "do lado da oferta, a história é diferente", com uma produção recorde de ópio no Afeganistão e do cultivo de coca nos países andinos, segundo comunicado do diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Antonio Maria Costa. Costa disse que são necessários, mundialmente, avanços nas áreas de saúde pública, prevenção e cumprimento da lei, e que se deve cortar os vínculos entre crime organizado, tráfico de drogas, corrupção e terrorismo. Regiões da Colômbia e de outros grandes produtores de drogas do mundo, por exemplo, estão "fora de controle do governo central", acrescentou. "O narcotráfico está comprometendo a segurança nacional (por exemplo em partes da América Central, Caribe, México e oeste da África)", advertiu o documento. "O dinheiro das drogas se entrelaça com a corrupção e é fonte de financiamento do terrorismo. Assim, funcionários corruptos de governos e terroristas facilitam a produção de drogas e o narcotráfico", acrescentou. Em 2007, o cultivo de folhas de coca cresceu 27 por cento na Colômbia, a 99.000 hectares, mantendo o país como maior produtor mundial, com 55 por cento do total. Na Bolívia e no Peru, o aumento foi de 5 e 4 por cento, respectivamente. Mas o baixo rendimento das áreas plantadas resultou num aumento de apenas 1 por cento do potencial de produção da cocaína, de acordo com o documento. Na América do Sul também se concentraram, em 2006, as apreensões de cocaína, com 45 por cento do total global, enquanto na América do Norte, onde se concentra o maior mercado da droga, as apreensões alcançaram 24 por cento. AUMENTO NO CONSUMO Enquanto em Estados Unidos e Canadá o uso de cocaína caiu, na América Latina e Caribe houve um aumento, com 3,1 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos tendo feito consumo da substância no período de 2006 e 2007, ou 1,05 por cento da população da região, e 19 por cento do total de usuários do mundo. O Brasil, segundo maior mercado de cocaína das Américas (com cerca de 870 mil usuários), o consumo dessa droga aumentou, ao contrário da tendência registrada em "boa parte planeta". A prevalência anual (uso pelo menos uma vez no último ano) passou de 0,4 por cento da população entre 12 e 65 anos em 2001, para 0,7 em 2005, segundo dados do governo. A Argentina teve em 2006 a maior taxa de uso de cocaína da América do Sul, e a segunda das Américas, depois dos EUA. Da população entre 12 e 65 anos, 2,6 por cento consumiu a droga ao menos uma vez por ano, disse o documento. Além disso, 0,5 por cento dos argentinos entre 12 e 65 anos admitiram ter usado "pasta base" de cocaína em 2006. Outro aumento significativo de uso da droga, ao menos uma vez durante o ano de referência, aconteceu no Uruguai, onde em 2007 houve um aumento de 1,4 por cento da população entre 12 e 64 anos, ante 0,2 por cento em 2001. Na Bolívia, o uso de cocaína aumentou para 1,9 por cento da população entre 12 e 50 anos em 2005, ante 1,3 por cento em 2000. Nos países da América Latina também se detectou nos últimos anos um aumento do consumo de maconha, principalmente no Brasil e na Argentina, segundo dados do relatório.

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