Drones dos EUA rastreiam alvos jihadistas na Síria

Obama prepara possível bombardeio ao EI; líder curdo revela que o Irã foi o primeiro a fornecer armas à luta contra o grupo radical

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / IRBIL, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2014 | 02h01

O regime xiita iraniano foi o primeiro a fornecer armas e munição para os peshmergas, as tropas curdas, no confronto com os radicais sunitas do Estado Islâmico (EI). Foi o que declarou ontem o presidente do Curdistão iraquiano, Massud Barzani, no mesmo dia em que foi revelado o início de voos de reconhecimento americanos na Síria, aliada do Irã, para a possível escolha de alvos contra o EI.

Os dois eventos indicam uma aproximação entre interesses do Irã e dos EUA, que também fornecem armas para os peshmergas e já bombardeiam posições do EI no Iraque.

Barzani fez a revelação durante entrevista coletiva em Irbil, capital do Curdistão, ao lado do ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamed Javad Zarif. O chefe da seção de Irã do Departamento de Relações Exteriores do Curdistão, Abdullah Akrawi, disse ao Estado que o governo iraniano deu início à ajuda militar "na primeira noite" depois do avanço dos jihadistas, em junho.

Ele não quis detalhar que tipo de armas foram entregues. Assim como o porta-voz dos peshmergas, Helgurd Hikmet, confirmou que os EUA têm fornecido armamento pesado, incluindo tanques e peças de artilharia, mas não entrou em detalhes.

Em entrevista ao Estado na semana passada, o vice-primeiro-ministro curdo do Iraque, Rowsch Shaways, queixou-se de que o chefe de governo interino, Haider al-Abadi, estava pressionando os Estados Unidos e países europeus a não fornecer armas para os peshmergas, com receio de reforçar um possível movimento de independência do Curdistão. O chanceler iraniano esteve com Abadi no domingo, quando garantiu apoio ao Iraque na luta contra o EI, e afirmou que o país não precisa de ajuda do Ocidente para derrotar os jihadistas. "Não temos presença militar no Iraque", ressaltou Zarif ontem. "Temos cooperação militar tanto com o governo iraquiano quanto com os curdos."

No Irã, o regime xiita reprime o movimento da minoria curda em favor de mais autonomia. Guerrilheiros curdos do Irã estão lutando ao lado dos peshmergas, assim como os da Turquia, outro país que no passado recente reprimiu duramente o movimento pela autonomia da minoria, mas que desde 2008 tem buscado uma aproximação com suas lideranças.

Em Bagdá, continuaram ontem os atentados contra xiitas, em uma onda de retaliações pelo massacre de 68 sunitas em uma mesquita na Província de Diyala, na sexta-feira. Um carro-bomba explodiu no bairro de maioria xiita Nova Bagdá, matando 12 pessoas e ferindo 28.

Os voos de reconhecimento começaram sem que o presidente Barack Obama tenha decidido bombardear alvos na Síria. "Embora o presidente ainda não tenha tomado a decisão de adotar ações militares adicionais, não restringimos nossas opções a fronteiras geográficas", disse Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. O general Martin Dempsey, comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, tem dito que não é possível eliminar totalmente o EI sem atacar posições na Síria.

O eventual envolvimento dos EUA no confronto com os jihadistas na Síria representa um triunfo para o ditador sírio, Bashar Assad, que desde 2011 argumenta estar enfrentando "terroristas". Em meados daquele ano, no calor dos protestos pacíficos contra o regime, Assad anunciou uma "anistia", e soltou centenas de radicais islâmicos presos, que se agruparam em células que teriam dado origem à Frente al-Nusra, filiada à Al-Qaeda, e ao Estado Islâmico.

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