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'Drones estão passando a ter um uso criminoso'

Para especialista, ainda não há tecnologia capaz de permitir o monitoramento das aeronaves não tripuladas de pequeno porte que voam a baixa altitude

Entrevista com

Christophe Naudin, criminologista e especialista em segurança aérea

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 15h21


PARIS - Autor do livro "Sûreté aérienne, la grande illusion" ("Segurança Aérea, a Grande Ilusão", na tradução livre), o criminologista Christophe Naudin, professor da Universidade Panthéon-Assas, de Paris, é um dos maiores experts em uso drones da França. Treinador da Polícia Nacional e da Gendarmeria Nacional, as polícias civil e militar francesas, colabora com autoridades de segurança pública de vários países.

Para Naudin, ainda não existem meios de localizar e interceptar a ação de drones ilegais, mas é preciso criá-los. Se elas não causam problemas reais de segurança hoje, causarão no futuro.

Os misteriosos voos de drones sobre Paris estão preocupando a polícia. A população deve se sentir ameaçada?

Não, porque não se trata de uma ameaça. As drones ainda não têm a capacidade de ser ameaçadoras hoje em dia. Mas no futuro serão uma ameaça e temos de tomar providências para evitá-la desde já. Creio que esses voos continuarão, talvez mais espaçados no tempo. Mas posso afirmar com certeza de que não há ameaça imediata à sociedade.

Especula-se que as aeronaves estejam sendo usadas para monitorar o grau de segurança de sítios específicos, como a embaixada dos Estados Unidos.

Não acredito. Não é necessário um drone para identificar os meios físicos de segurança de uma embaixada. Na realidade, as drones que foram vistas em Paris não são objetos muito eficazes na captação de informação para fins de espionagem.

Do que se trata, então?

Eu creio que se trata de um claro desafio às autoridades lançado provavelmente por grupos que eu denomino "ecologistas-terroristas", que não hesitam em desafiar a lei para provar que o Estado não tem meios de defender seus sítios sensíveis.

O Ministério do Interior não conseguiu identificar os pilotos. Eles estão certos?

É verdade que o Ministério do interior não consegue identificá-los, e creio que essa identificação não será fácil e não acontecerá amanhã. Os drones estão passando a ter um uso criminoso, e o Direito está sempre em atraso em relação às tecnologias. Mas estudos muito importantes sobre o tema estão sendo lançados nesse momento, em primeiro lugar para criar meios de localizar drones, provavelmente por novos radares, e em um segundo momento pelo desenvolvimento de meios de destruir à distância ou assumir o controle sobre esses aparelhos.

O que o senhor propõe para enfrentar o problema?

Na realidade, ignoramos o que está acontecendo e por isso não tenho solução a propor hoje. A polícia poderia usar um helicóptero com câmeras térmicas para identificar a posição desses drones, mas seria uma solução caríssima. Por isso prefiro dizer que não tenho solução imediata a propor.

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