Drones israelenses na Síria ferem trégua, diz ONU

Voos não tripulados no espaço aéreo sobre as Colinas de Golã representam uma violação do acordo de cessar-fogo de 1974

O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2015 | 20h19

Membros das Forças de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU)posicionados nas Colinas de Golã, na fronteira entre Israel e Síria, observaram veículos aéreos não tripulados, os chamados drones, saindo do lado israelense antes e depois de um ataque aéreo ter matado várias figuras destacadas do Hezbollah, afirmou a ONU nesta segunda-feira, 19.

O voo de drones no espaço aéreo sobre as Colinas de Golã representa uma violação do acordo de cessar-fogo de 1974 entre Síria e Israel, disse o porta-voz da ONU, Farhan Haq.

O grupo libanês Hezbollah afirmou no domingo que um ataque de um helicóptero israelense na Síria havia matado um de seus comandantes e o filho do falecido Imad Moughniyah, ex-líder militar do grupo. O episódio foi considerado um duro golpe, que pode levar a represálias.

Haq foi questionado se a missão de observação da ONU na área de separação das Colinas de Golã, conhecida como Undof, havia visto algo relacionado ao ataque. Ele disse que a Undof havia "observado dois veículos aéreos não tripulados voando do lado Alpha e cruzando a linha de cessar-fogo".

O lado Alpha se refere à área do Golã ocupada por Israel. Haq disse que a Undof viu os drones indo em direção à posição 30 da ONU, antes de perderem os veículos de vista. Uma hora depois, disse ele, os membros da missão viram fumaça vindo da posição 30, embora não tenham sido capazes de identificar a fonte da fumaça.

"Subsequentemente, a Undof observou os drones voando da área geral da posição 30 e sobre o passagem de Jabbata, cruzando a linha de cessar-fogo”, disse Haq. “Esse incidente é uma violação do acordo de desmobilização de 1974 entre as forças israelenses e sírias.”

“Criticamos todas as violações”, acrescentou ele, ressaltando que a ONU pediu a ambos os lados que contenham ações que possam exacerbar as tensões já existentes.

Ao ser questionado por uma reação, o embaixador sírio na ONU, Bashar Jafari, disse à Reuters: "Graças a Deus. Finalmente o porta-voz acordou de sua autoimposta letargia."

Haq não deu detalhes sobre se os drones tinham propósito de vigilância ou se estavam armados. Ele também não disse que os drones eram israelenses.

O ataque de domingo atingiu o comboio que levava Jihad Moughniyah e o comandante Mohamad Issa, conhecido como Abu Issa, à província de Quneitra, perto das Colinas do Golã ocupadas por Israel. No total, seis membros do Hezbollah morreram, disse o grupo em comunicado.

A missão de Israel na ONU não respondeu imediatamente a um pedido para comentar o assunto. / REUTERS

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