Drones são 40% da frota aérea dos EUA

Relatório do Congresso americano indica crescimento acelerado no uso das aeronaves não tripuladas em missões militares no exterior

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2012 | 03h05

Mais de um em cada três aviões militares dos EUA não é tripulado. O crescimento na utilização desses aparelhos controlados remotamente - mais conhecidos como "drones" e usados principalmente no Iraque, Iêmen, Paquistão e Afeganistão - cresceu nos últimos anos e alterou o conceito de operações aéreas das forças americanas.

De acordo com relatório do Serviço de Pesquisas do Congresso dos EUA, divulgado nesta semana, o porcentual de drones nas forças americanas cresceu seis vezes desde 2005. Atualmente, são 7.494 aviões não tripulados e 10.767 que exigem a presença de pilotos no comando. Isso representa mais de 40% do total.

Desde 2001, as forças militares americanas já gastaram US$ 26 bilhões com os drones. Apesar disso, as despesas com aviões tripulados ainda representam 92% do total de destinado para o setor no Exército e demais ramos das Forças Armadas.

Na avaliação do estudo do Congresso, existe uma série de vantagens no uso dos drones. "Eles eliminam os riscos para a vida dos pilotos e não sofrem restrições na duração de operações causadas por limitações humanas. Além disso, podem ser envolvidos em ações mais arriscadas e os custos são bem menores", afirma o relatório.

Em memorando recente, o Pentágono concluiu que os aviões não tripulados "são fundamentais na guerra ao terror por sua precisão nos alvos, por detectar minas e por fazer reconhecimento de armas químicas, biológicas e nucleares". A segurança nesses voos também aumentou. Sete anos atrás, eram 20 acidentes a cada 100 mil horas de voo. Hoje o número é de 7,5. Recentemente, um deles, em uma possível missão de espionagem, foi capturado pelo Irã.

Atualmente, existem drones com tamanhos que variam entre o de um inseto e o de um avião comercial. Os mais comuns são os Ravens. Os Predators e sua versão mais potente - os Reapers - têm mais poder de fogo.

A publicação do relatório ocorre no momento em que a CIA suspendeu os ataques com drones contra bases da Al-Qaeda e do Taleban em áreas tribais do Paquistão. A última ação dos aviões comandados pelo serviço secreto dos EUA ocorreu em 17 de novembro, matando sete inocentes e irritando o governo paquistanês.

No ano passado, foram realizados 75 bombardeios com drones naquela região paquistanesa. Entre 470 e 655 pessoas morreram, incluindo mais de 100 civis. Também foram intensificadas as ações contra militantes da Al-Qaeda na Península Arábica, no território iemenita.

Além da função militar, os drones podem também passar a ter uso doméstico. No domingo, durante a feira do Consumer Eletronics Show, foram apresentados protótipos de helicópteros e aviões com grande autonomia de voo operados por meio de iPhone e celulares com o sistema operacional Android.

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