Duas iranianas ateiam fogo às suas roupas em Paris

Duas iranianas tentaram imolar-se ateando fogo às suas roupas durante um protesto nesta quarta-feira em Paris contra uma grande blitz feita ontem pela polícia francesa nos escritórios do grupo Mujahedin do Povo (Mujahedin Khalq), acusado de ser terrorista pelos EUA e a União Européia. O incidente foi o último de uma série de dramáticos protestos na Europa contra a blitz nas instalações do Mujahedin.Reiterando hoje a justificativa do governo francês para sua ação, o porta-voz Jean-Fraçois Cope disse que a blitz se realizou após os serviços de inteligência terem indicado que as atividades do grupo de oposição iraniano eram ?perigosas e ilegais?. ?Nossos serviços tinham informações precisas sobre o desenvolvimento das atividades dessa organização?, afirmou Cope sem dar mais detalhes.No protesto em Paris, que começou cedo nesta manhã, Marzieh Babakhani despejou sobre si um líquido inflamável e acendeu um fósforo, segundo a polícia e o Conselho Nacional de Resistência do Irã. Ela foi conduzida ao hospital depois que os manifestantes debelaram as chamas.Horas mais tarde, uma outra mulher ligada ao grupo, identificada como Sedigheh Mojaveri, ateou fogo a suas roupas e foi hospitalizada com queimaduras graves.A demonstração em Paris, que reuniu cerca de 50 pessoas, ocorreu do lado de fora das instalações da agência de inteligência francesa, conhecida pela sigla DST, onde os membros do grupo estão detidos.Em Londres, na terça-feira, um homem de 38 anos ateou fogo às suas roupas diante da embaixada francesa e no mesmo dia em Hamburgo, na Alemanha, cerca de 50 simpatizantes do Mujahedin foram detidos depois de alguns deles entrarem no consulado iraniano e darem chutes no mobiliário.Hoje, a polícia francesa libertou quase todas menos 26 pessoas entre as detidas na blitz de terça-feira, que também incluiu a apreensão de várias malas contendo notas de dólares, num total de US$ 1,3 milhão.Segundo os policiais, entre os que permanecem detidos está uma destacada líder do grupo, Maryam Rajavi, esposa de Massoud Rajavi, o dirigente do Mujahedin Khalq baseado no Iraque.

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