Duas mulheres integram o próximo governo afegão

A próxima ministra da Saúde Pública do Afeganistão, a médica Suhaila Siddia, é uma respeitada cirurgiã, que permaneceu na capital do país, Cabul, durante os anos de domínio da milícia Taleban, de 1996 até o mês passado.Foi um tempo difícil para ela. quando o Taleban tomou Cabul, Suhaila era chefe do Departamento Cirúrgico de um hospital e tinha a patente de general, que lhe fora concedida anos antes durante um dos governos pró-Rússia. Por isso, era conhecida na capital como generala Suhaila.Mas, apesar de seu prestígio como a melhor cirurgiã do país, ela foi despedida pelo regime taleban e recebeu ordens de permanecer em casa."Eu não me casei, porque não queria receber ordens de um homem. Olhe para nós, agora", disse ela na época, numa entrevista à imprensa. Meses depois, a milícia percebeu o que havia perdido e pediu a Suhaila que voltasse ao trabalho, enviando-a a um hospital militar para tratar dos soldados. "Suhaila é muito famosa. Ela é uma mulher boa e forte", comentou em Cabul a dona de casa Miriam, que tem cinco filhos.A outra mulher no gabinete interino será Sima Samar, do grupo do ex-rei Mohammed Zahir Shah e também médica, ministra dos Assuntos da Mulher e um dos vice-chefes de governo.Ela trabalha atualmente nos campos de refugiados do vizinho Paquistão, onde dirige um programa de saúde e educação para mulheres afegãs, na cidade de Quetta. Sima ajudou a organizar uma conferência sobre mulheres afegãs realizada esta semana na Bélgica.Leia o especial

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