AFP PHOTO / Paul-Louis LEGER
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Homem mata duas mulheres a facadas em Marselha

Agressor, que acabou sendo morto por agentes de segurança, gritou ‘Allahu Akbar’ antes de esfaquear as vítimas em estação de trem

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 12h27
Atualizado 01 Outubro 2017 | 21h44

PARIS - Um homem matou duas mulheres a facadas neste domingo, 1.º, na principal estação de trem de Marselha, sul da França, antes de ser morto por militares. O ataque ocorreu por volta das 14 horas (9 horas em Brasília) e o agressor teria gritado “Alá é o maior” antes de investir contra as mulheres, disse uma fonte policial. Uma delas foi atingida no pescoço e a outra no estômago.

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Após o episódio, a seção antiterrorista do Ministério Público francês anunciou a abertura de uma investigação por “assassinatos vinculados a uma organização terrorista” e “tentativa de assassinato de um funcionário público”. Horas depois, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria da ação.

O atacante foi morto por militares da Operação antiterrorista “Sentinela”, disse o procurador da República, Xavier Tarabeux. Uma fonte policial detalhou que ele teria entre 25 e 30 anos, não levava nenhum tipo de documento e aparentava ser do norte da África. Outra fonte afirmou que, com base nas análises das digitais, descobriu-se que o agressor era acusado de crimes comuns.

O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou sua indignação com a barbárie do ataque. “Estou profundamente indignado com este ato bárbaro, com dor pelas famílias e amigos das vítimas de Marselha. Cumprimento os militares da operação Sentinela e os policiais que reagiram com sangue frio e eficácia”, disse o chefe de Estado em sua conta no Twitter.

Por volta das 15 horas locais, os arredores da estação Saint Charles continuavam isolados pela polícia. Agentes e militares fortemente armados patrulhavam as escadarias do prédio.

Pelo Twitter, o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, disse que viajaria “imediatamente” para Marselha, após o ataque cometido perto da estação Saint Charles.

Uma testemunha relatou à agência Reuters que viu o homem tirando a faca da manga da camisa e gritando o que seria “Allahu Akbar” ao atacar a primeira vítima. Jeanne, de 33 anos, afirmou à France-Presse que estava dentro da estação na hora do ataque e, amedrontada, saiu correndo. “Pessoas que não usavam roupas militares, talvez policiais à paisana, gritavam para sairmos. Mas muitas pessoas não se mexiam”, disse.

A França está em alerta por terrorismo desde o atentado de janeiro de 2015 contra a revista satírica Charlie Hebdo, no qual 12 pessoas morreram.

O governo lançou a Operação Sentinela, destacando cerca de 7 mil agentes em toda a França para vigiar zonas de alto risco, como estações, pontos turísticos e prédios religiosos.

O novo ataque ocorreu dois dias antes de a Assembleia Nacional votar um controvertido projeto de lei antiterrorista. A legislação busca introduzir no direito comum algumas medidas do estado de emergência instaurado em julho de 2016 pelo ex-governo socialista após os atentados que deixaram 130 mortos, em 13 de novembro de 2015, em Paris.

Apesar disso, um homem invadiu com um caminhão uma celebração do Dia da Bastilha em Nice, matando 84 pessoas. O Estado Islâmico assumiu a autoria de ambos os ataques.

“Diante destas mortes bárbaras, nossa esperança é (...) que consideremos, enfim, o terrorismo como o que é: um ato de guerra”, reagiu a presidente da Frente Nacional (partido de extrema direita), Marine Le Pen.

“Marselha chora por suas pobres vítimas. O assassino (é) tão repugnante quanto seus motivos”, declarou no Twitter o deputado de Marselha, Jean-Luc Mélenchon, que concorreu às eleições presidenciais deste ano. Vários países, como Alemanha, Reino Unido e Bélgica, também sofreram recentemente ataques a faca, bombas ou atropelamentos. /AFP e REUTERS

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