Royal Malaysia Police via AP
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Duas mulheres serão indiciadas pelo assassinato de Kim Jong-nam

Irmão de líder norte-coreano foi morto no dia 13 de fevereiro após ser envenenado pelo composto VX; ambas as suspeitas alegam que acreditavam estar participando de um programa de televisão

O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2017 | 09h59

HANÓI - Duas mulheres serão indiciadas pelo assassinato de Kim Jong-nam no aeroporto de Kuala Lumpur com um agente neurotóxico. Pyongyang enviou um diplomata experiente à Malásia para tentar recuperar o corpo do meio-irmão do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Kim Jong-nam foi assassinado no dia 13 de fevereiro depois de ser envenenado com VX, um agente neurotóxico catalogado como arma de destruição em massa.

As autoridades da Coreia do Sul acusaram o regime comunista da Coreia do Norte de estar envolvida no assassinato, e de ter contratado as duas mulheres - uma indonésia e outra vietnamita - para executar o ataque. Ambas "serão indiciadas por um tribunal em virtude do artigo 302 do código penal" relativo a assassinato, informa uma nota do procurador-geral da Malásia, Mohamed Apandi Ali.

As duas suspeitas foram detidas pouco depois do assassinato e podem ser condenadas à pena de morte por enforcamento. Elas serão levadas a um tribunal na quarta-feira.

Nas imagens das câmeras de segurança obtidas pela imprensa é possível observar o momento em que as duas mulheres se aproximam de Kim Jong-nam pelas costas e uma delas joga algo no rosto da vítima. Em seguida, ele fala com dois guardas, que o levam para a clínica do aeroporto. Ele morreu menos de 20 minutos depois, quando era levado para um hospital.

O VX é uma versão mais letal do gás sarin, insípido e inodoro, extremamente tóxico. Os agentes nervosos agem com o estímulo excessivo das glândulas e dos músculos, o que cansa rapidamente as vítimas e ataca a respiração. O composto químico é considerado uma arma de destruição em massa e seu uso está proibido em todo o mundo.

A Coreia do Sul pediu "medidas coletivas" de punição à Coreia do Norte por ter usado armas químicas para matar Kim Jong-nam. Em discurso na Conferência de Desarmamento organizada pela ONU em Genebra nesta terça-feira, 28, o ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Yun Byung-se, disse que o uso de armas químicas foi um "toque de despertar" e a comunidade internacional deveria agir, inclusive com a possível suspensão de Pyongyang da organização.

A Coreia do Norte rebateu a proposta. "A Coreia do Norte rejeita totalmente as declarações desprezíveis, irresponsáveis, impertinentes e ilógicas feitas pela Coreia do Sul", disse o diplomata norte-coreano Ju Yong Choi à Conferência sobre o Desarmamento da ONU em Genebra. "A RDPC (República Democrática Popular da Coreia) nunca produziu, armazenou ou usou armas químicas, e nossa posição é clara: rejeitamos categoricamente as suposições e especulações sobre o incidente na Malásia", afirmou.

Defesa. Uma das suspeitas do assassinato, Siti Aisyah, indonésia de 25 anos, afirmou que recebeu o equivalente a US$ 90 para participar do que ela acreditava ser um programa de televisão de "pegadinhas", de acordo com uma fonte diplomática.

De acordo com esta versão, a mulher acreditava que estava usando um "óleo para bebês" e não conhecia a outra suspeita, Doan Thi Huong, vietnamita de 28 anos, que também declarou às autoridades que acreditava estar participando em um programa.

Na região vietnamita de Quan Phuong, a sogra de Huong pediu um julgamento justo. "Deve pagar o preço se realmente fez isso. Não acredito que ela seja suficientemente corajosa para fazer algo assim", disse Nguyen Thi Vy.

Um terceiro suspeito, Ri Jong-Chol, norte-coreano de 46 anos, também foi detido na Malásia. O procurador-geral não informou se ele será indiciado.

Corpo. A Coreia do Norte solicitou à Malásia a entrega do corpo de Kim Jong-nam. O regime norte-coreano rejeita as conclusões da necropsia.

Pyongyang acusou a Malásia de ser responsável pelo assassinato e de colaborar com a Coreia do Sul por razões políticas.

O veterano diplomata norte-coreano Ri Tong Il foi enviado pelo país para debater "o tema do retorno do corpo do cidadão morto da RDPC", informou diante da embaixada do país. Ele afirmou ainda que a delegação norte-coreana vai abordar "o tema da libertação do cidadão da RDPC pela polícia malaia".

A Malásia se recusa entregar o cadáver, alegando que precisa de uma amostra de DNA de um parente da vítima. / AFP e REUTERS

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