Shah Marai/AFP
Shah Marai/AFP

Insurgentes do EI vestidos de médicos atacam hospital militar no Afeganistão

Ao menos 30 pessoas morreram no ataque após confronto com as forças de segurança que durou várias horas em Cabul

O Estado de S. Paulo

08 de março de 2017 | 03h54
Atualizado 08 de março de 2017 | 19h16

CABUL -  Atiradores disfarçados de médico mataram ao menos 30 pessoas nesta quarta-feira, 8, em um atentado reivindicado pelo Estado Islâmico em um hospital de Cabul, a capital afegã. Forças especiais do Exército afegão levaram horas para debelar o ataque, que atingiu o hospital Sardar Mohammad Daud Khan e ocorre em meio a incertezas sobre a política do presidente Donald Trump para o país.

O ataque começou quando um carro-bomba explodiu na frente do hospital, que fica próximo da Embaixada dos Estados Unidos em Cabul. Após o tumulto criado pelo ataque inicial, três homens armados invadiram o prédio e começaram a executar médicos, pacientes e demais funcionários. 

 

De acordo com o porta-voz do Ministério da Defesa Dawlat Waziri , o ataque foi neutralizado por volta do meio dia, quando os três atiradores foram mortos. Equipes de elite fizeram uma varredura no hospital em busca de cúmplices do ataque e encontraram 30 corpos e 50 feridos, que foram removidos para outro hospital. 

Segundo testemunhas do ataque, os atiradores ocuparam posições em andares mais altos do hospital, onde executaram a maioria das vítimas. Os soldados tiveram de descer em helicópteros para retomar o prédio, cujo perímetro foi isolado por medidas de segurança. Horas depois do início do ataque, disparos esporádicos ainda eram ouvidos no local. 

Em comunicado, a agência Amaq, controlada pelo Estado Islâmico, reivindicou o ataque, enquanto o Taleban, por meio de um porta-voz, tentou se desvincular dele. 

O ataque ocorre também enquanto o presidente Trump ainda não decidiu sua política para o Afeganistão, em um momento no qual o EI tenta se expandir para além da região do Iraque e da Síria. 

A filial do Estado Islâmico no Afeganistão se opõe tanto ao governo afegão apoiado pelo Ocidente quanto ao Taleban e tem uma forte presença na fronteira com o Paquistão. O grupo tem organizado alguns ataques de grande porte contra civis em Cabul, especialmente contra a minoria xiita do país. 

A capital afegã tornou-se caótica depois do ataque. A maior parte do comércio estava fechada em virtude do feriado que lembra a morte de um comandante antissoviético. 

A maior parte dos líderes do governo afegão estavam nas cerimônia de homenagem ao marechal Fahim Kham. 

O presidente afegão, Ashraf Ghani, no entanto, usou as celebrações do Dia Internacional da Mulher para condenar o ataque. “Todas as mulheres devem se unir contra atos violentos como esse”, disse o presidente. “Um hospital é um local que é considerado imune de violência em qualquer legislação e em qualquer religião. Atacar um hospital é atacar todo o povo do Afeganistão e todas as mulheres do Afeganistão.”

O atentado representa um revés para Ghani e seus assessores de segurança e ocorreu dias depois de o presidente substituir o chefe de polícia de Cabul, com o intuito de melhorar a segurança da capital. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.