Duas semanas após terremoto, lago chinês ameaça transbordar

A China preparava-se nasegunda-feira para dinamitar pedras, lama e destroços queformavam um perigoso e grande "lago de terremoto", esperandoassim evitar um novo desastre duas semanas depois de umcatastrófico abalo sísmico ter atingido a Província de Sichuan. O governo chinês recalculou a cifra de mortos resultante doterremoto do dia 12 de maio para 65.080, um aumento de mais de2.400 quando na comparação com o número do dia anterior. E essa cifra deve elevar-se ainda mais já que os esforçosde busca tentam encontrar 23.150 pessoas dadas comodesaparecidas. Outras 360.058 vítimas ficaram feridas. O Politburo do Partido Comunista, órgão decisório dalegenda, advertiu que a situação continuava sendo "sombria" eas operações de ajuda, árduas em vista do "mais destrutivo"abalo sísmico registrado no país desde 1949, disse a agênciachinesa de notícias Xinhua. A frenética resposta inicial de emergência vem setransformando em uma longa batalha contra a natureza, aprivação e um descontentamento latente, fatores esses que devemperdurar por muito tempo depois de a região ter sofridomilhares de tremores pós-terremoto. Soldados chineses carregando 10 quilos de dinamite cada umchegaram na segunda-feira ao lago Tangjiashan, um das dezenasde lagos formados pelo abalo. Em meio à previsão de que a áreaseja atingida por fortes chuvas e ventos, os militares tentarãoromper as barreiras feitas de destroços, disse a Xinhua. A barragem do lago encontrava-se sob risco de ceder depoisde o nível das águas ter subido, no sábado, para 723 metros, ouapenas 29 metros abaixo da parte mais baixa da contenção. "O lago abriga atualmente mais de 128 milhões de metroscúbicos de água e pode provocar uma enchente devastadora caso abarragem se rompa", afirmou a agência de notícias. Mianyang, uma cidade localizada perto das áreas maisatingidas, retomava em parte um clima de normalidade -- lojasfuncionavam e os ambulantes e pedestres lotavam as ruas. Masainda há muitos sinais lembrando a China de que levará anos atéque os estragos deixados pelo terremoto sejam absorvidos. O ginásio de esportes da cidade era ocupado por milharesdos cerca de 5 milhões de pessoas expulsos de suas casas,segundo estimativas, pelo abalo sísmico. As ruas de Mianyang encontravam-se cheias de soldados ecaminhões carregados com suprimentos que terão de dar apoio àpopulação de cidades e vilarejos da região durante um longoperíodo ainda. E centenas de cartazes de "desaparecidos" colados nasparedes do estádio e em postes de luz fazem reverberar osentimento de luto e a indignação com o fato de muitas criançasterem sido mortas quando suas escolas ruíram mesmo que váriosdos prédios vizinhos a elas tenham resistido aos tremores. "Não sabemos por quanto tempo ficaremos aqui. E já pareceque se passaram vários anos", disse Zhu Huajun, um agricultortransformado em refugiado cuja filha de 14 anos de idade perdeuas duas pernas quando a escola dela desabou. "Além dos mortos, um grande número de pessoas ficoualeijado. Se estivermos falando de uma criança, como tercerteza de que terá os cuidados necessários dentro de algunsanos, quando as pessoas se esquecerem do terremoto?" (Reportagem adicional de Sally Huang, Guo Shipeng eBenjamin Kang Lim, em Pequim)

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