Duhalde é confirmado presidente e anuncia "plano de salvação"

O peronista Eduardo Duhalde foi confirmado no início da madrugada desta quarta-feira como presidente da Argentina, com mandato até 10 de dezembro de 2003, e anunciou um "plano de salvação nacional" para tentar tirar o país da insolvência. Duhalde foi eleito pelo Congresso com 262 votos (21 outros parlamentares votaram contra e 18 se abstiveram), numa sessão longa precedida por sérias disputas entre os próprios peronistas. O novo presidente argentino deve iniciar um processo lento de desvalorização do peso em relação ao dólar e implementar um Orçamento Nacional do ano 2002 "equilibrado", mas não incluirá os cortes salariais de 13% aplicados aos funcionários públicos e aposentados pelo ex-ministro da Economia Domingo Cavallo. Outro ponto do plano econômico seria a reinstauração do pagamento de encargos sociais para as empresas privatizadas de serviços públicos, que há vários anos estão livres desse pagamento. Além disso, a equipe de Duhalde planeja criar de um imposto para compensar a desvalorização da moeda, que seria aplicado nos setores beneficiados com o fim da conversibilidade econômica, principalmente as empresas exportadoras. Protecionismo Para ocupar o cargo do ministro da Produção está quase certo o nome de Ignacio De Mendiguren, presidente da União Industrial Argentina (UIA). De Mendiguren é um conhecido defensor de maior protecionismo para os produtos argentinos, especialmente contra o Brasil. Os técnicos duhaldistas são dirigidos pelos economistas Jorge Remes Lenicov y Rodolfo Frigeri. A equipe de Duhalde trabalha num plano de reativação do consumo, sem descartar a futura desvalorização do peso, com fortes estímulos fiscais à produção, aumento das emissões de títulos e garantias aos depositantes de que o dinheiro depositado nos bancos não perderá o valor. "Duhalde vai proclamar ante a Assembléia Legislativa o fim de um modelo que favorece a especulação financeira e as empresas privatizadas, aplicado no país durante a última década, para passar a um outro modelo, produtivo, industrial, agropecuário e exportador", disse uma fonte da equipe econômica de Duhalde, momentos antes da confirmação de seu nome. Desvalorização e moratória O plano econômico duhaldista postula a saída do modelo de conversibilidade, com a paridade de um a um entre o peso e o dólar, mas sem desvalorização brusca e tendendo no futuro à flutuação do câmbio. De fato, a conversibilidade já é história na Argentina, porque o Banco Central está com seus cofres vazios e nenhum depositante consegue obter a devolução de seus depósitos em dólares, que somam, no total, US$ 66 bilhões. Mas ainda há resistências entre os produtores agrícolas contra a desvalorização sem que antes sejam negociadas as volumosas dívidas em dólares que têm com os bancos. A moratória da dívida externa será mantida - US$ 132 bilhões, cerca de 46% do PIB -, com a intenção de reiniciar, mais adiante, quando a situação amadurecer, uma renegociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sem repudiar os compromissos com os credores. Leia o especial

Agencia Estado,

01 Janeiro 2002 | 23h40

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