Duhalde sai de férias, mas já tem planos para a volta

Há um ano e meio, quando Eduardo Duhalde tomou posse como presidente, convocado às pressas pelo Congresso Nacional para completar o mandato inacabado do ex-presidente Fernando De la Rúa, a maioria de seus colegas políticos, os analistas e a população, teriam recusado apostar que "El Cabezón" (O Cabeção) teria durado mais de três meses. Encarado como "medíocre" e "sem brilho", Duhalde surpreendeu. Ele não somente concluiu seu mandato provisório, como também conseguiu evitar que o país caísse no caos social e econômico que os gurus da city financeira portenha profetizavam. Duhalde gosta de dizer que tirou o país da terapia intensiva e o colocou na terapia intermediária.Ele destruiu seu velho arqui-inimigo, o ex-presidente Carlos Menem e conseguiu fazer com que seu candidato Néstor Kirchner se tornasse o novo presidente. Os analistas indicam que pelo menos no começo, Kirchner terá a sombra de Duhalde pairando sobre sua cabeça. "El Cabezón" repassou para Kirchner quatro ministros e um vice-ministro, dos quais dois são fanaticamente fiéis ao ex-presidente. Além disso, Kirchner dependerá do "aparato" que Duhalde possui no Congresso Nacional. Do total de 125 deputados peronistas, Duhalde controla diretamente quase 40.Mas, para evitar confusões políticas nos dias em que Kirchner debutará no cargo, Duhalde decidiu tirar prolongadas férias, no total, 45 dias, que começará nesta segunda-feira, no Brasil. Ele afirma que quando voltar da viagem, se dedicará à formulação de uma novo modelo econômico, de "produção e trabalho", como contraponto à década neoliberal "menemista".Extra-oficialmente, seus assessores confessam que assim que voltar das férias, se dedicará a consolidar seu poder dentro do Partido Justicialista (Peronista), onde terminaria de "limpá-lo" da presença de "menemistas".A volta à arena política só ocorreria em 2005, quando planeja retornar ao Senado. Talvez, em 2007, candidatar-se à presidência da República, desta vez, para chegar ao poder através das urnas. Como bom jogador de xadrez, Duhalde não tem pressa para dar o xeque-mate.

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