Duhalde toma posse afirmando que a Argentina está falida

"É a hora de dizer a verdade, que a Argentina está falida, quebrada". Com esta crua confissão, Eduardo Duhalde, tomou posse da presidência da Argentina. Depois de uma jornada de muitas idas e vindas políticas, o senador peronista foi eleito presidente, pela Assembléia Legislativa, com 262 votos a favor, 21 votos contra e 18 abstenções. Em seu juramento no Congresso Nacional, Duhalde disse que estava formando um governo de "salvação nacional": "não é hora de marchas partidárias. É hora do hino nacional". Referindo-se aos recentes conflitos sociais e protestos populares, afirmou que é preciso que o país encontre "a paz". O novo presidente admitiu que grande parte da população do país está mergulhada "na mais profunda miséria" e que o país chegou a uma situação de limite. Segundo Duhalde, o modelo econômico vigente "faliu a Argentina" e precisa ser mudado. "O modelo arrasou tudo. Colocou na indigência dois milhões de pessoas". Desta forma, confirmou o fim da conversibilidade econômica, que criou a paridade um a um entre o peso e o dólar. O novo presidente disse que perseguiria "as pessoas que roubaram a Argentina" e criticou a classe política, acusando-a de "incapacidade moral". Segundo ele, é preciso que cada político, diplomata e funcionário público se torne em um "lobista das empresas nacionais". Duhalde confessou que o governo argentino "não possui um peso" e que a sociedade estava à beira do caos. "O povo tolera muitas, muitas coisas. Mas não tolera a anarquia", exclamou. O novo presidente dos argentinos afirmou que seu governo será regido por uma direção "humanista e cristã". Além disso, Duhalde, um líder do Partido Justicialista (Peronista), recordou os velhos mitos partidários - o general Juan Domingo Perón e sua esposa Evita - e pediu a ajuda de Deus. Segundo ele, assume a presidência com o propósito de terminar com o paradoxo de que a Argentina seja um país rico com uma população pobre. No fim do discurso, Duhalde pediu esperança, e que a Argentina "tem futuro". O novo presidente prometeu criar um seguro-desemprego que beneficie um milhão de pais e mães de famílias desempregadas. Duhalde reforçou os vínculos da Argentina com o Mercosul e disse que o país continuará com seus acordos de integração com outros blocos comerciais do mundo. Duhalde afirmou em seu discurso que se comprometia a não disputar uma eventual reeleição em outubro de 2003.

Agencia Estado,

02 Janeiro 2002 | 02h31

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