Duplo ataque terrorista deixa pelo menos 87 mortos e choca a Noruega

Dois violentos atentados chocaram ontem a Noruega. No centro de Oslo, uma explosão - aparentemente de um carro-bomba - matou sete pessoas e destruiu parte da fachada do prédio onde trabalha o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg. Uma hora e meia depois, a ação mais sangrenta: um atirador fuzilou pelo menos 80 pessoas em um encontro juvenil do partido do premiê na Ilha de Utoya, a 40 quilômetros da capital.

REUTERS, NYT, AFP e AP, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

Usando um fuzil automático, um homem vestido de policial abriu fogo aleatoriamente contra a multidão. Autoridades confirmaram que também encontraram explosivos espalhados pela ilha. A polícia informou que o atirador foi preso e identificado como Anders Behring Breivik.

Ele é um norueguês de 32 anos, o que fez a polícia descartar a possibilidade de que o ataque tenha sido obra de um grupo extremista islâmico. Na madrugada de ontem, investigadores trabalhavam até mesmo com a hipótese de Breiviki ter agido sozinho - ele teria sido visto em Oslo antes da explosão (mais informações nesta página).

Desde o início, a polícia evitou apontar responsáveis e foi cautelosa ao falar sobre terrorismo islâmico. Inicialmente, o grupo Ansar al-Jihad al-Alami, conhecido também como Colaboradores da Jihad Global, teria assumido a autoria dos ataques. Mais tarde, a organização negou a informação.

Segundo Runar Kvernen, porta-voz da polícia, cerca de 600 pessoas estavam no acampamento do Partido Trabalhista. A maioria era de adolescentes com idades entre 15 e 16 anos. Muitos se lançaram no lago e tentaram nadar até a outra margem, outros fugiram dos tiros pela floresta.

Testemunhas contaram à TV estatal norueguesa que viram "de 20 a 25 corpos" espalhados pela ilha. Depois de algumas horas vasculhando a área, porém, a verificaram que a tragédia havia sido maior. No início da noite, segundo autoridades, pelos menos 93 pessoas permaneciam internadas em estado grave em hospitais de Oslo.

O dia mais sangrento da história da Noruega começou às 15h30 em Oslo (10h30, horário de Brasília), quando uma explosão destruiu as janelas do prédio de 17 andares onde funciona o gabinete do premiê - ele não estava no local - e deixou destroços pela calçada. As ruas da cidade estavam relativamente silenciosas e vazias, pois a maioria da população está de férias ou já havia viajado para passar o fim de semana fora da capital.

O cenário no centro de Oslo transformou-se no caos: feridos deitados em poças de sangue, entulhos espalhados pelas ruas e muita fumaça subia de prédios no centro da cidade. A polícia fechou áreas próximas e pediu a jornalistas e o público que se afastassem até que fosse determinado que não havia mais bombas.

O governo apressou-se em emitir um comunicado afirmando que Stoltenberg estava "a salvo e não foi ferido". "Isso é muito grave", disse o premiê à emissora norueguesa TV2 por telefone. "Apesar de estarmos preparados para esse tipo de situação, é dramático quando isso ocorre."

Enquanto Stoltenberg falava, a imprensa norueguesa anunciava, uma hora e meia depois do primeiro ataque, o trágico tiroteio na Ilha Utoya, onde a juventude do Partido Trabalhista estava reunida e onde o premiê deveria discursar hoje.

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