Duplo atentado em universidade mata 4 no Paquistão

Um duplo atentado suicida hoje contra uma universidade islâmica em Islamabad, capital do Paquistão, deixou ao menos 4 mortos e 18 feridos, de acordo com autoridades. Uma das explosões foi em uma cafeteria para mulheres. A outra, em um departamento de direito islâmico da faculdade. Até o momento, nenhum grupo reivindicou o ataque, que ocorre em meio a um salto no número de atentados dos militantes islâmicos no país.

AE-AP, Agencia Estado

20 de outubro de 2009 | 12h37

O superintendente da polícia Abdul Ghafar Quaiserani afirmou que os dois suicidas atacaram praticamente no mesmo momento. Autoridades preveem que mais ataques ocorram, conforme os militares avancem na ofensiva, que hoje completa quatro dias, contra a Al-Qaeda e o Taleban no Waziristão do Sul, uma região dominada pelos rebeldes, no noroeste do país, perto da fronteira do Afeganistão.

A Universidade Islâmica Internacional foi criada nos anos 1980. Seu campus, nos limites de Islamabad, é frequentado por mais de 12 mil estudantes, quase a metade deles mulheres. Muitos estudantes vêm do exterior, dentre eles cerca de 700 provenientes da China. A universidade é um centro de ensino islâmico, mas a maioria dos estudantes faz matérias seculares como administração ou computação, disse o presidente da universidade, doutor Anwar Hussain Siddiqui.

"Parece que simpatizantes ou colaboradores (dos militantes) estão fazendo isso para desviar a atenção da operação militar", afirmou. "Eles estão tentando criar uma situação de pânico na capital", acrescentou.

Ofensiva

A ofensiva do Exército no Waziristão do Sul colocou cerca de 30 mil soldados contra 10 mil militantes. O Exército realizou três ofensivas de pequena escala no Waziristão do Sul desde 2004, mas nenhuma teve sucesso. Os militares disseram que hoje as tropas, apoiadas por ataques aéreos, avançavam em três frentes, embora encontrando forte resistência.

Confrontos ocorreram em áreas ao redor de Kaskai e Shisanwam, resultando na morte de mais quatro soldados, o que elevou o número de militares mortos para 13 em quatro dias, segundo comunicado do Exército. Há informações também sobre a morte de 12 militantes, elevando o número para 90 durante a ofensiva. O acesso à região não é permitido, o que torna difícil a verificação desses números.

Em entrevista concedida hoje à Associated Press, o porta-voz do Exército, major Athar Abbas, disse que não há evidências de que os militantes estejam tentando abandonar a zona de batalha. "Este é um terreno montanhoso, então, a operação tende a ser mais lenta", disse. "Eles estão bastante determinados a lutar. Até agora, temos enfrentado uma dura resistência." Cerca de 150 mil civis deixaram o Waziristão do Sul nos últimos meses. Autoridades dizem que até 200 mil pessoas devem deixar a região nas próximas semanas.

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