Bloomberg photo by Tomas Ayuso
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Duque diz que oferta da Odebrecht para indenizar Colômbia é vergonhosa 

No dia 6, o Ministério Público e o Tribunal de Contas rechaçaram de maneira unânime a oferta financeira de US$ 33,8 milhões feita pela multinacional - a terceira desde que o caso foi aberto no país

O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2018 | 18h04

BOGOTÁ - O presidente colombiano, Iván Duque, qualificou nesta sexta-feira, 16, de vergonhosa a oferta de 106 bilhões de pesos (US$ 33,8 milhões) que a construtora brasileira Odebrecht fez ao Estado como indenização pelos prejuízos causados por corrupção e para frear os processos contra ela no país. 

"O que foi oferecido, primeiro, é uma vergonha, isso é uma vergonha, e ainda mais que, o que ocorreu com essa empresa, é que violou o regime de competição e ainda subornou", afirmou Duque em uma entrevista à emissora Blu Radio. 

No dia 6, o Ministério Público e o Tribunal de Contas rechaçaram de maneira unânime a oferta financeira feita pela multinacional - a terceira desde que o caso foi aberto no país. 

Segundo documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos EUA, a Odebrecht pagou US$ 788 milhões em subornos em 12 países da América Latina e da África, entre eles a Colômbia, onde foram entregues mais de US$ 11 milhões entre 2009 e 2014. No entanto, a Procuradoria assinalou que as cifras supostamente pagas pela construtora na Colômbia foram maiores e alcançaram os 84 bilhões de pesos (cerca de US$ 26,8 milhões). 

A indignação na Colômbia com o caso da Odebrecht cresceu depois do Noticias Uno publicar, na segunda-feira, uma entrevista gravada em agosto com Jorge Enrique Pizano, auditor na obra e considerado testemunha-chave do processo. Sua morte, no dia no dia 8, foi atribuída a um enfarte. Ele deixou indicações de que a entrevista e documentos fossem publicados caso ele morresse ou saísse do país.

Na entrevista, Pizano acusou o procurador-geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, de conhecer irregularidades na licitação para a construção da Rota do Sol 2 desde 2015, quando era advogado do Grupo Aval, da qual fazia parte a Corficolombiana, ex-sócia da Odebrecht no projeto. 

Filho

Três dias depois da morte de Jorge, seu filho Alejandro Pizano Ponce de León, que acabara de voltar da Espanha para assistir ao funeral do pai, morreu envenenado com cianureto. Investigação da Procuradoria descobriu que o veneno estava em uma garrafa de água saborizada encontrada no escritório de seu pai em sua casa. A confirmação do envenenamento com cianureto levou a própria Procuradoria a investigar a morte do engenheiro.

O Grupo Aval divulgou um comunicado após a morte de Pizano, dizendo que as alegações “não eram novas” e, ainda que a Corficolombiana tivesse suspeitado que a Odebrecht estava agindo ilegalmente no início de 2015, isso não poderia ser provado. 

Segundo o grupo, foi apenas mais tarde, em 2016, que a extensão do escândalo ficou aparente como resultado das investigações dos EUA. “Rejeitamos qualquer pronunciamento que tente indicar que o Grupo Aval sabia, antes de 21 de dezembro de 2016, que a Odebrecht havia pago propina para vencer contratos.” 

Nesta sexta-feira, a construtora Odebrecht considerou “questionável” a informação de que seu ex-sócio, a Corficolombiana, desconhecia o pagamento de subornos no contrato para a construção da Rota do Sol 2, que une o centro com o norte colombiano. 

“Em suas declarações tornadas públicas recentemente, o doutor Jorge Enrique Pizano fez menção de que havia informado na época sobre essas irregularidades, além de outros executivos da Corficolombiana”, afirmou a companhia brasileira no comunicado.

A construtora acrescentou que há ainda investigações em curso que envolvem a Corficolombiana, pela qual “ainda é questionável o comunicado de imprensa” da empresa dizendo desconhecer o fato antes de 21 dezembro de 2016. Nesta data, o Departamento de Justiça dos EUA publicou documentos segundo os quais a Odebrecht pagou os US$ 788 milhões em subornos na América Latina e África. 

A empresa brasileira afirmou ainda que colabora com as autoridades colombianas, americanas e brasileiras. “A Odebrecht e seus funcionários, apesar da significativas consequências que isso trouxe, foram até as autoridades assumir as responsabilidades que lhes correspondiam, indenizar o Estado colombiano e denunciar fatos ccmo aqueles que têm a ver com as circunstâncias que cercaram a adjudicação do contrato da Rota do Sol 2”, acrescenta o texto. / EFE 

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