MySpace/Reprodução
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Durante ataque, atirador fez busca no Facebook sobre o crime

Mateen também trocou mensagens de texto com a mulher para saber se ela tinha visto notícias da matança

CLAUDIA TREVISAN - ENVIADA ESPECIAL / ORLANDO, EUA, O Estado de S. Paulo

17 Junho 2016 | 05h00

Depois de abrir fogo contra dezenas de pessoas na madrugada de domingo em um casa noturna LGBT, o atirador Omar Mateen fez uma busca no Facebook com as expressões “Pulse Orlando” e “shooting” (que designa ataque a tiros), segundo o presidente da Comissão de Segurança Doméstica do Senado dos EUA, senador Ron Johnson.

Fontes envolvidas na investigação do caso disseram à CNN que Mateen também trocou mensagens de texto com sua mulher, Noor Salman, quando estava na Pulse. Em uma delas, perguntou se Salman havia visto o noticiário sobre o ataque. “Eu te amo”, respondeu a mulher.

Johnson revelou ainda que Mateen postou mensagens no Facebook depois do ataque, nas quais deu indicações de suas motivações. “América e Rússia, parem de bombardear o Estado Islâmico”, escreveu. “Vocês matam mulheres e crianças inocentes fazendo bombardeios, agora experimentem a vingança do Estado Islâmico.”

Ainda de acordo com o senador, o atirador afirmou que novos ataques contra os EUA ocorreriam nos “próximos dias” e declarou lealdade ao Estado Islâmico e a seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi. 

O FBI disse que não há indicações de que Mateen tinha ligação direta com a organização ou tenha recebido ordens para realizar o ataque. Na avaliação das autoridades americanas, sua ação parece mais um caso de terrorismo doméstico inspirado pela propaganda disseminada pelo Estado Islâmico na internet.

Em declarações que deu no dia seguinte ao ataque, o presidente Barack Obama comparou a ação de Mateen à do casal que matou 14 pessoas a tiros em dezembro na cidade de San Bernardino, na Califórnia. Como o atirador de Orlando, eles também usaram o Facebook para declarar lealdade ao Estado Islâmico, mas a investigação não encontrou relação direta do casal com o grupo.

As informações sobre as atividades de Mateen na rede social estão em carta que Johnson enviou ao fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, na qual pede colaboração da empresa na investigação que o Senado realiza sobre o ataque. O parlamentar solicita dados sobre contas mantidas pelo atirador, histórico de sua timeline, fotos, mensagens e posts. 

O atirador entrou na Pulse por volta das 2h de domingo. Depois de matar 49 pessoas e ferir outras 53, ele manteve um pequeno grupo como refém durante quase três horas. Foi provavelmente nesse período que ele postou mensagens e fez buscas na rede social. 

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